Eis a conversa que gostava de ter aqui neste início de semana. Tenho agora um tempo de pausa e aproveito-o para sintetizar umas linhas sobre o meu processo de discernimento interior a partir de um dia-a-dia cada vez mais difícil de gerir, numa altura em que faço campanha no terreno e passo quase toda a semana fora de Lisboa a conhecer pessoas, projectos e instituições que me permitem actualizar o olhar sobre o país real e profundo.
Estou, como sabem, em campanha para o Parlamento Europeu, como candidata independente pelo MEP, desde Dezembro passado. Estes quase quatro meses que passaram foram um tempo de privilégio absoluto, em que me foi dada a possibilidade de percorrer o país de norte a sul (ilhas incluídas), num caminho com dois sentidos: conhecer a realidade-real de Portugal e, ao mesmo tempo, dar-me a conhecer nesta nova condição de 'nova política'.
Quando insisto na expressão 'realidade-real' faço-o com o propósito de sublinhar a importância de afinar o olhar sobre a realidade à minha volta, sem tentações para o tornar mais ou menos dramático. E é porque preciso de conhecer verdadeiramente o país que quero representar no Parlamento Europeu, num centro de decisão onde se decide a nossa vida todos os dias, que todas as semanas estou fora de Lisboa.
A partir de hoje e porque faltam apenas dois meses e pouco para as eleições, vou andar pelo país cinco dias por semana. Ou seja, estou em Lisboa às segundas e aos domingos. Tenho uns dias de pausa na Semana Santa e, de resto, estou em campanha. Vem tudo isto a propósito da minha gestão do tempo, das minhas prioridades e critérios mas, também, da possibilidade real (lá está a realidade-real de que sempre falo!) de manter dois blogs activos.
A minha experiência das últimas semanas prova que me é cada vez mais impossível alimentar dois blogs diariamente. Não tenho o dom da ubiquidade, os meus dias não têm mais horas do que os dias dos outros, chego à noite muito cansada (exausta é, muitas vezes, a palavra mais certa) e sem capacidade para sintetizar as matérias, fazer os uploads das imagens e editar textos em dois blogs.
Visito diariamente duas ou três instituições sociais e culturais, sempre que posso almoço ou janto com pessoas que estão envolvidas em projectos ou causas cívicas, e vou tendo encontros diários com jornalistas da imprensa regional que localmente me acompanham e se interessam pelo que ando a fazer em cada concelho ou distrito. Ora tudo isto é de uma exigência enorme e é tão estimulante e gratificante como esgotante.
Se agora enuncio toda esta realidade é porque depois de um processo de discernimento e ponderação de prós e contras, cheguei à conclusão de que a partir daqui não sou mesmo capaz de manter dois blogs activos. Achei que era capaz mas com a mesma verdade com que separei águas à partida, também agora assumo que humanamente não consigo desmultiplicar-me mais sem correr o risco de me esgotar ou entrar em colapso físico e mental.
Assim sendo, a matéria mais política da minha campanha vai passar a estar no site do MEP e no site do MEP Europa (sites onde conto com a colaboração de toda a equipa de 22 pessoas que me acompanham e com quem trabalho intensamente nesta candidatura ao Parlamento Europeu), enquanto a matéria mais impressionista e mais de 'substância da vida' vai estar neste meu blog.
Dei-me conta ao longo do caminho já percorrido, que muitas das realidades que toco nesta fase da minha vida, merecem ser divulgadas num blog único e abrangente, por serem realidades universais (ler: não estritamente políticas) e por revelarem um país onde existem pessoas, instituições, associações e projectos verdadeiramente transformadores.
Confesso que me comove profundamente conhecer tudo e tanto numa altura de grande crise, em que todos poderiamos ter a tentação do desânimo. Ao contrário do que eu esperava, embora a crise seja real e os dramas cada vez mais dramáticos, há uma legião cada vez maior de pessoas apostadas em atravessar esta e outras crises com sentido construtivo, acrescentando valor e confiança, resgatando a esperança lutando e acreditando que só com muito trabalho e muito esforço seremos capazes de chegar à outra margem.
E é justamente porque estas pessoas existem à nossa volta, e porque os projectos que criam ou nos quais trabalham e se envolvem são tão transformadores na sociedade (e nas mentalidades) que não posso deixar de os revelar a todos. Ou seja, a partir de hoje em vez de ter dois blogs e de separar umas águas que afinal são inseparáveis, vou mostrar aqui as pessoas e os projectos que encontro no caminho e deixar para o site MEP Europa a matéria mais política. Aqui a cidadania e ali a política!
Tenho a certeza que me percebem e me acompanham, e é também a certeza de percorrer este caminho real e virtual tão bem acompanhada que me enche de alegria e energia para os dois meses que se anunciam como um tempo ainda mais exigente e desafiador. Obrigada por estarem aí. Ou melhor, por estarem aqui comigo!
Fui visitar a nova casa da Obra do Frei Gil, no Porto, e devo
confessar que me comoveu ver tudo novinho em folha mas
já com um par de semanas bem vividas neste novo espaço.
Fotografei o cameraman a filmar a equipa do Sporting em
cromos, porque também sou Sportinguista mas, acima de
tudo, porque me tocou o pormenor da decoração de um dos
rapazes que agora vivem nesta nova casa em Ramalde.
Esta casa da Obra do Frei Gil é um sonho tornado realidade
à custa das ajudas de centenas de amigos e voluntários da
Obra. As crianças e jovens em risco que moram nesta casa
viviam antes em condições muito precárias e degradadas.A
casa onde moravam tinha um espaço exíguo e estava muito
velha. Durante 10 longos e penosos anos a Obra do Frei Gil
multiplicou as iniciativas para angariar fundos e fazer obras
para uma nova casa e aquilo que parecia quase impossível
acabou por se tornar possível. A casa está de pé e aberta!
A equipa que dirige a casa e a mantém a funcionar mais as
crianças e jovens que lá moram, mudaram há poucos dias
para aqui e, por isso, tudo é uma novidade e uma alegria.
O próprio Frei Gil gostaria de ter estado presente no dia em
que se abriram as portas desta nova casa onde moram as
crianças que são maltratadas pelos pais ou negligenciadas
pelas famílias. O Frei Gil nunca desistiu de acreditar que era
possível acolher, cuidar e ajudar a crescer todos estes jovens.
Graças à inspiração do fundador e à tenacidade de uma equipa
extraordinária liderada por Graça Fonseca e Maria Gonçalves da
Cunha, formaram-se grupos de ajuda, juntaram-se voluntários
novos e antigos, escreveram-se cartas, trocaram-se mails e foi
possível ver finalmente todos os Meninos da Obra do Frei Gil a
ter uma habitação condigna. A mim, esta Obra diz-me muito pois
também eu participei nesta corrente de voluntariado que envolveu
centenas de pessoas que leram a revista XIS onde publiquei um
apelo aos leitores. Há 5 anos para mim esta casa era um sonho!
Estes e outros miúdos que agora moram nas novas instalações
foram os mesmos que foram escrevendo coisas mais ou menos
avulsas sobre a casa nova e a casa antiga. Um deles, com dez
anos (precisamente os mesmos que esta casa demorou a ser
construída) escreveu duas linhas num papel a dizer o seguinte:
"Na Casa Nova temos um buraco nas paredes dos dois pisos,
para onde podemos atirar a roupa e ela vai parar à lavandaria!"
Graça Fonseca, a directora, tem um sorriso sempre desenhado
na cara e é uma força da natureza. Fala dos seus meninos como
se fossem todos seus filhos. É admirável esta atitude e esta força!
Na imagem Graça (de encarnado) conta à Inês Menezes como as
coisas foram acontecendo e a Inês revive através dos detalhes ao
vivo aquilo que fomos vivendo na XIS nos tempos em que a revista
existia e íamos tendo notícias da evolução desta construção que
esteve parada mas, finalmente, arrancou e já nunca mais parou.
Ver as caminhas dos bebés trespassadas da luz que entra
pelas grandes janelas e sentir que o quarto dos mais novos
é quente e alegre dá o consolo que é possível ter quando
sabemos que estes bebés foram retirados às famílias por
serem maltratados ou abandonados. A tristeza desta triste
realidade aqui é compensada pela maneira como os bebés
são acolhidos e cuidados. Esta casa é um verdadeiro lar.
Os despojos dos dias nas casas onde há muitos filhos são
as mochilas que se deixam no chão no fim da escola, quando
ainda é dia e há tempo para brincar lá fora no pátio. Passo por
estas casas e fico sempre tocada pela familiaridade que sinto
nas rotinas, nos hábitos e na maneira como é possível viver e
educar dezenas de crianças e jovens em fase de crescimento.
Dou os meus parabéns a toda a equipa e assumo aqui que só
agora fui capaz de escrever sobre a visita por ela me ter tocado
profundamente. Confesso que sinto que a casa também é minha.
Passei metade de uma tarde na célebre aldeia de Pia do Urso,
entre Fátima e a Batalha, a percorrer os caminhos do primeiro
e único Parque Eco-Sensorial que existe no nosso país.A aldeia
foi toda recuperada e parece uma daquelas aldeias provençais
onde apetece passar um tempo demorado, descontraído e livre.
Por entre as casas da aldeia foi desenhado no chão um caminho
diferente para pessoas com problemas de visão. Os cegos e os
amblíopes podem percorrer todo o Parque Eco-Sensorial sem a
ajuda de ninguém pois não só todas as pistas estão inscritas em
braille, como o próprio pavimento guia os seus passos com mais
segurança e certezas. Entre a calçada de pedra há um caminho de
madeira que permite sentir que estão sempre no caminho certo...
Num país onde tudo é obstáculo e barreira arquitectónica para
quem tem deficiências e handicaps físicos ou outros, é bom ir
a um lugar expressamente pensado e desenhado a pensar nos
que veem com muitas dificuldades. O Parque Eco-Sensorial de
Pia do Urso tem várias estações e é fascinante conhecê-las.
Achei uma graça particular a esta Marcha para Aljubarrota e
não resisti a fotografar os 'guerreiros'. Alguém atrás de mim
também fotografou e foi assim que fiquei dentro da paisagem.
Todo o percurso do Parque Eco-Sensorial é uma descoberta
permanente e a aventura é ir descobrindo cada estação de sua
vez. A seguir aos guerreiros há uma estação planetária e ainda
uma experiência de abstracção. Adorei conhecer tudo isto e dou
os meus sinceros parabéns a quem teve esta iniciativa positiva!
Este é o senhor Pascoal, um dos efectivos mais importantes
do projecto BricoSolidário, uma iniciativa muito inovadora das
câmaras da Guarda e Sabugal. A ideia é muito simples e tem
a ver com a realidade desta zona do interior, próxima da raia:
as aldeias estão cada vez mais desertas e as pessoas cada
vez mais sós e entregues à sua sorte. Para contrariar todo o
abandono a que são votadas as gerações mais velhas (há
lugares e aldeias onde hoje em dia moram apenas 3 idosos,
cada um em sua casa, muito distantes entre si) alguém teve
a feliz ideia de lançar um projecto de arranjos ao domicílio.
E foi assim que nasceu uma parceria entre duas Câmaras
Municipais. Decidiram candidatar-se aos Fundos Europeus
e conseguiram montar a estrutura de um projecto que pode
e deve ser replicado em muitos outros lugares remotos do
país. E não só. Esta ideia serve qualquer aldeia ou vila onde
os habitantes estejam mais sós e com menos recursos. A
carrinha do BricoSolidário é como aquelas carrinhas antigas
que percorriam as aldeias e vilas a apitar pelas ruas, para
anunciar que traziam legumes e fruta ou peixe fresco. Desta
vez não se trata de vender alimentos mas de oferecer arranjos
nas casas. Pequenos e médios consertos que podem ir de
uma simples lâmpada ou torneira a trabalhos mais elaborados
de canalizador ou pedreiro. Mais do que oferecer apenas estes
serviços, o que este projecto proporciona é uma possibilidade
de relação, e o calor humano que sempre entra numa casa se
alguém vem por bem. Adorei conhecer o projecto e o sr. Pascoal.
Dentro da carrinha há uma espécie de oficina onde há de tudo.
Impressiona-me sempre conhecer pessoas e projectos que
apoiam quem mais precisa de ser apoiado. E este é um caso!
Começo por voltar ao CAT, o Centro de Atendimento Temporário
de crianças e jovens em risco, de Viseu, que fiquei a conhecer no
fim-de-semana e não me sai da cabeça por mil e uma razões que
passo a explicar. Primeiro, pela incontornável realidade de acolher
bebés e crianças muito pequenas que foram retiradas aos pais e
famílias por serem maltratadas ou negligenciadas. Dói sempre a
certeza de que estas crianças não foram amadas e foram rejeitadas.
Nestes berços estão deitados bebés muito pequenos que os
pais não foram capazes de amar nem cuidar, e impressiona
olhar para eles por serem tão queridos, tão frágeis e ainda tão
carentes de amor e cuidados. Comoveu-me este CAT por ser
um espaço tão familiar onde se sente o carinho e todo o amor
que uma equipa inteira de profissionais dão aos mais frágeis.
Olhar para as carinhas dos bebés, tocar nas suas mãos, sentir
o seu cheiro e a sua pele, ver como olham com os seus olhos
inocentes para um mundo por vezes tão adverso e cruel, enche
de ternura e, ao mesmo tempo, de frustração. Todos nós os da
equipa MEP-Europa que visitámos esta instituição, ficámos de
lágrimas nos olhos pela maravilha de trabalho que é feito com
estas crianças mas também pela dor e sofrimentos passados.
Tudo no ambiente deste CAT é tranquilo e bonito. Já visitei
muitos centros desta natureza e foram raros os que vi tão
bem cuidados, tão luminosos e tão familiares. A beleza da
casa onde se recebem crianças em risco importa muito até
porque estas crianças sentem e absorvem o que anda no ar.
Aqui todos os pormenores contam e foram muito pensados.
Até a arrumação das roupas e os armários onde se guarda
tudo o que outros oferecem a estas crianças está impecável.
Dá gosto ver uma ''casa de família'' onde há 22 ''filhos'' com
tudo tão em ordem. A organização e a arrumação importam!
Do outro lado da casa existe uma sala ampla e arejada onde
as crianças brincam e se entretêm fora das horas de aulas e
onde os voluntários dão apoio nas brincadeiras mas também
nos estudos dos que já andam na escola. Há crianças com
idades compreendidas entre os 0 e os 6 anos e, por isso, há
as que vão à escola e começam a aprender a ler e escrever.
Apetece estar nesta sala colorida, divertida, onde há muito
espaço para brincadeiras. Este palhaço foi feito por todos
e agora vive encostado a uma das janelas que dão para o
pátio lá fora. Sobre este pátio gostava de dizer duas coisas.
A primeira é que é um pátio enorme e tentador para aproveitar
como recreio para estas crianças brincarem. A segunda é que
não é possível deixar as crianças ir para o pátio porque há lá
dois tanques enormes, com água, onde se poderiam afogar
em menos de dois minutos. É uma pena que estes tanques
permaneçam ali sem destino, a impedir estas crianças de ter
um espaço ao ar livre para brincarem e crescerem mais livres.
Vou escrever uma carta ao presidente da Câmara de Viseu a
falar destes tanques e a perguntar se se pode fazer alguma
coisa em breve. Bastaria esvaziá-los e cobri-los de terra ou
areia para criar ali um parque de diversões. Não me parece
impossível e tenho a certeza de que está ao alcance da CMV
fazer qualquer coisa que potencie o bem-estar das crianças.
Finalmente gostava de deixar aqui umas linhas à Drª Paula
Menezes, a directora do CAT de Viseu que me marcou pela
atitude positiva, pelo sorriso permanente (e contagiante) e
pela sensibilidade e ternura com que fala de cada uma das
'suas' 22 crianças. Não conseguirei nunca agradecer-lhe o
suficiente por ser esta luz no mundo e por devolver aos mais
frágeis o sorriso e a confiança na vida. E a dignidade também!
Toda a equipa MEP-Europa saiu desta pequena-grande casa
comovida e grata por nos terem aberto as portas e nos terem
feito sentir em casa. A Drª Paula Menezes tem a minha idade
(47 anos) e vive inteiramente dedicada a todos estes ''filhos''
e sublinho aqui a minha profunda admiração pela maneira
como exerce esta forma tão generosa de maternidade. Dar
colo a quem não tem colo, encher de mimos quem nunca os
teve, cuidar, abraçar, alimentar, vestir e educar bebés e crianças
cujo passado foi todo vivido em dor e abandono é muito mais
do que um trabalho. É uma verdadeira missão! Muito obrigada.
E termino este longo post com a imagem da entrada do CAT
da Misericórdia de Viseu, como uma breve despedida de quem
sabe que pode voltar mais vezes porque a porta estará sempre
aberta. Quem me dera poder ajudar e quem me dera que os 2
tanques de pedra do pátio deixem de existir muito em breve!
Estou a aterrar em Lisboa depois de três dias de campanha
no terreno e de um longo caminho percorrido entre Arganil,
Oliveira do Hospital, Lamego, Guarda, Sabugal e Viseu. Foi
um tempo de encontros e histórias de vida. Estou a chegar
e ainda sem capacidade de síntese de tudo e tanto que vivi
por ali. Deixo um pequeno album de fotos com imagens de
lugares que visitei e sobre os quais em breve escreverei.
Alguns dos melhores queijos, das melhores ovelhas, das melhores
famílias também são fabricados na ANCOSE, a Associação Nacional
de Criadores de Ovinos na Serra da Estrela, que visitei ontem ao fim
da tarde, quando as nuvens cobriam o céu lá ao fundo mas ainda deixavam
entrar um raio de sol, o derradeiro raio de luz da tarde de mais um dia de frio.
Visitei as instalações da ANCOSE com dois dos responsáveis
pela gestão e exploração do leite, queijos e produtos afins aqui
nesta espécie de paraíso na terra de onde saem os melhores
queijos do mundo. Digo isto sem qualquer pudor e com toda a
certeza do que estou a dizer porque não há queijo nem requeijão
que se compare ao que de melhor se faz nesta zona do país. É
uma pena que este tipo de explorações e negócios também vivam
tempos difíceis, e foi também esta realidade que vim conhecer e
aprofundar. Cada um dos criadores associados tem, em média
43 animais e é extraordinariamente difícil sobreviver nesta escala.
Fiquei mais consciente das questões que se prendem com
a produção do queijo da Serra e fiquei a saber que é cada vez
mais difícil encontrar apoios e alternativas em tempos de crise.
Hoje em dia a criação de ovelhas das melhores 'castas' é cara
e nem sempre compensa até porque a lã deixou de ser negócio
e a propriedade tem que ser redimensionada para tudo ser viável.
Ou seja, resumido desta forma grosseira e abreviasa, temos um
dos melhores queijos do mundo mas os criadores de ovelhas e
os produtores estão com graves dificuldades de sobrevivência.
Ângela Faria da Cunha, jornalista da Rádio Boa Nova de Oliveira
do Hospital, é a minha anfitriã amanhã nesta rádio pelas 15h10m
(100.2 FM ou online em www.radioboanova.com) onde vamos falar
sobre as razões da minha candidatura e coisas da vida ao longo de
uma hora. Apetece imenso este contacto e esta proximidade com as
rádios locais e os jornalistas-entrevistadores que as animam. Esta
manhã estive no Rádio Clube de Arganil, a gravar uma entrevista que
também vai para o ar amanhã entre as 17h e as 18h (88.5 FM ou na
versão online em www.rcarganil.com). A entrevistadora foi Isabel Duarte.
Depois da rádio Arganil visitei a Comarca de Arganil, jornal centenário
que está a atravessar uma fase difícil (aliás como estão todos os jornais)
e a Susana Duarte também me fez uma entrevista. Aqui ficam momentos...
Visitei o projecto Pular a cerca (II) no Porto, onde conheci estes
e outros miúdos que participam nas actividades promovidas pelo
centro, cujo espírito e missão é combater a exclusão social de
crianças e jovens provenientes de contextos socio-económicos
mais vulneráveis ou carenciados. Este projecto surge no âmbito
do Programa Escolhas e pretende criar mecanismos de apoio e
estímulo a uma verdadeira igualdade de oportunidades entre os
jovens e as crianças. Neste centro há uma variedade enorme de
escolhas e actividades, que vão da aprendizagem informática às
técnicas de pintura passando pela dança e o desporto.
Ao fim da tarde assisti ao treino da Companhia do Rugby, uma
das ofertas mais concorridas no Centro. A equipa é combativa e
composta por uma variedade muito complementar de miúdos.
Há ali de todos os géneros, tamanhos e feitios e o treinador tem
um talento especial para gerir e organizar toda esta diversidade.
Há vários jogadores de etnia cigana e é engraçado ver como em
campo todos se sentem completamente iguais e integrados na
equipa. Fora do campo, as irmãs e irmãos seguem atentamente
o treino e esperam que acabe para voltarem juntos para casa.
Às vezes o treino tem que parar porque os irmãos mais novos se
entusiasmam e entram em campo e até isso é divertido. Comove
ver a cena e a maneira paciente como o treinador espera que os
miúdos peguem ao colo dos irmãos para os pôr fora de jogo...
Nos próximos dias vou estar em Arganil, Lamego, Guarda e Viseu.
Vão ser dias intensos e cheios de visitas a projectos e instituições
onde é possível ficar a conhecer ainda melhor a realidade-real do
país. É um privilégio enorme poder percorrer o país de norte a sul,
ilhas incluídas, em campanha. Vou deixando aqui os meus posts
mais ou menos impressionistas sobre tudo e tanto que vou vendo
e vivendo nos dias em que faço por conhecer e me dar a conhecer.
Adorei os três irmãos e as suas irmãs mais velhas. Muito queridos!
Conheci a Diana no fim-de-semana passado, no Clube Porta
Aberta, no Bairro do Cerco, no Porto. A Diana Vieira tem 11 anos
e frequenta diariamente este centro de actividades onde pode ter
estudo acompanhado e também participar nos ateliers e iniciativas.
Tenho falado com ela ao telefone e contou-me que partiu um braço
e tem dores. Foi o braço esquerdo. As melhoras, querida Diana!
A Cláudia Teixeira é uma das maiores amigas da Diana e também
vai ao Clube Porta Aberta todos os dias. Diz que gosta de dançar, de
fazer patinagem e de ginástica. Adorei a Cláudia e as suas sardas!
O Luís Miguel Santos Moreira é o terceiro deste trio inseparável de amigos
e também quis dar uma entrevista para o blog. Todas as crianças que vêm
ao Clube Porta Aberta moram nos bairros sociais da zona de Campanhã,
uma das zonas mais problemáticas da cidade do Porto. Estas crianças têm
vidas difíceis e assistem a muita coisa e impressiona sempre ver a ternura
com que se abraçam e nos abraçam. Mesmo quando mal nos conhecem...
Passei três dias muito intensos no Porto, em campanha pelo
MEP. Dada a variedade, a complexidade e a profundidade das
realidades que toquei, foi-me impossível alimentar o blog nos
dias que passei no terreno. Assim sendo, retomo hoje a minha
escrita neste espaço que se vai construindo 'a espaços' e com
os impulsos dos dias de campanha em que conheço pessoas
e projectos apaixonantes pela maneira como revelam o que há
de melhor em cada um. Começo pelo princípio, pela visita que
fiz ao Serviço de Voluntariado do Hospital de São João, onde o
Vasco Fernandes me falou do trabalho dos voluntários e das
suas prioridades e critérios. "O papel do voluntário é estar com
o doente e a sua missão é servi-lo!" disse Vasco que é, também
ele, voluntário neste hospital. Comove-me sempre o testemunho
dos que dão de si e do seu tempo, aos que mais precisam e é
impressionante conferir que quanto mais se dá, mais se recebe!
É uma matemática infalível, esta de dividir para multiplicar: quando
repartimos, multiplicamos e é também esta certeza que me anima!
Este blog ainda não está a 100% mas não é por falta de investimento nem por inércia, muito pelo contrário, é porque está na sua matriz ser um blog de campanha no terreno e um espaço 'em crescendo'. Ao contrário do meu outro blog, que fala da substância da vida e todos os dias se alimenta de pequenas e grandes coisas do nosso quotidiano, este vai-se construindo e consolidando lentamente para poder acolher as pausas em que o meu trabalho é mais introspectivo e prospectivo para, depois, se abrir à novidade quando estou num tempo mais mais intenso e vibrante. Ambos os tempos são essenciais nesta fase. Estamos a três meses das eleições e tanto preciso deste tempo demorado para ler, processar e sistematizar, como do tempo vivido em equipa, mais acelerado para visitar, percorrer e conhecer a realidade-real do país em que vivemos neste período difícil que atravessamos.
Hoje convidaram-me a estar em directo na Janela Aberta, no Rádio Clube às 18h30 (104.3), para falar sobre as razões da minha candidatura ao Parlamento Europeu e vou com muito gosto. No próximo fim-de-semana vou estar no Porto e sobre o programa desses dias falarei mais tarde. Entretanto e enquanto este blog está a meio-gás, por assim dizer, a alternativa é ser fiel ao site do MEP que, esse sim, está sempre actualizado e cheio de informação que apetece ler e divulgar. Last but not least, a imagem da fachada da nova sede do MEP na Avenida da Boavista, mesmo em frente da Casa da Música, está uma festa! Muitos parabéns ao núcleo do Porto!!

Nota: Este texto foi publicado na minha página de crónicas do Público na sexta-feira passada.
Tal como acabei de escrever no meu blog A Substância da Vida, hoje o meu dia só teve boas notícias. O irmão de António Garcia, sobre quem escrevi no jornal Público e no post anterior, foi hoje contactado pelo deputado João Rebelo, vice presidente da Comissão de Defesa, no sentido de apurar os factos e dar sequência a um processo injustamente em suspenso há 5 anos. É por estas pequenas-grandes coisas que nunca podemos deixar de acreditar que melhor é sempre possível!
Volto a publicar aqui esta fotografia que tirei na CERCIGUI, em Guimarães, porque escrevi uma crónica no jornal Público sobre o António Garcia (é o que está sentado na imagem, de óculos e casaco azul escuro). Deixo-a aqui também porque não podemos ficar indiferentes às injustiças, às faltas de apoio e às falhas graves de comunicação. É uma triste história por um lado mas, por outro, é uma história de grande dignidade e preserverança do António, da sua família, amigos e formadores.
Por incrível que pareça, nestes 6 anos que se seguiram ao episódio do aneurisma que, sublinho e insisto, aconteceu quando António estava de serviço no seu posto, na Base Militar de São Jacinto, em Aveiro, ninguém deu um passo para saber o que era preciso fazer e, muito menos, para dizer como o António Garcia e a sua família poderiam ser ajudados, apoiados ou encaminhados. Pior, nem as cartas escritas ao Chefe do Estado Maior do Exército, nem os pedidos de informação feitos à própria hierarquia da Base de S.Jacinto, nem a exposição dirigida ao Ministro da Defesa nem a carta escrita ao presidente da república tiveram outro eco para além de uma nota oficial de que tinham sido recebidas. Mais nada.
A mim, que só o conheci há uma semana, choca-me esta realidade e tira-me o sono saber que há quem acorde e adormeça todos os dias sem cumprir o seu dever perante um militar que cumpriu escrupulosamente o seu. António Garcia prestou serviços à nação com louvores e mérito, tem uma folha impecável onde constam 63 saltos e um acidente que lhe provocou um traumatismo craniano (um acidente de trabalho, note-se!) e apesar de estar ao serviço da Instituição Militar no dia em que ocorreu o episódio do aneurisma que o atirou para uma cadeira de rodas e o deixou gravemente incapacitado, não recebe um cêntimo do Estado nem o mais vago apoio das Forças Armadas. Bonito serviço!
A mim choca-me e envergonha-me esta triste história e como não acredito que seja só a mim, deixo aqui o telemóvel do irmão de António, que se chama Ricardo, é polícia e trabalha incessantemente para sustentar o irmão, para o caso de alguém querer e poder dar as respostas a tantas perguntas que continuam sem resposta. As tais de que falo no texto anterior. Não se trata de angariar fundos nem de dar dinheiro, mas sim de responsabilizar quem é responsável. Só isso. Aqui fica o número: 960479793
Peço desculpa pela interrupção neste blog, pelos avanços e recuos, pela ausência de notícias e pela irregularidade. Confesso que a fase que atravesso não me tem permitido ir mais além mas assumo desde já o compromisso de voltar em breve e de não ter mais sobressaltos. A vida nem sempre é como gostavamos que fosse e há que dar tempo ao tempo. Para mim, que gosto das coisas feitas em cima do acontecimento, também isto de dar tempo ao tempo é uma aprendizagem. Seja.
Ontem, alguém particularmente importante na minha vida e com uma visão estratégica sobre a política, a multiplicação dos talentos, o mundo das ideias e a maneira como comunicamos uns com os outros disse-me:
- Por mais que me identifique contigo ou com o MEP jamais terei tempo e concentração suficientes para ler todo o vosso progama eleitoral para a Europa.
Fiquei decepcionada, claro, até porque (passe a parcialidade radical!) considero que temos um excelente programa e digo-o na certeza de que eu apenas contribui com uma parte pois o documento saiu em partes rigorosamente iguais dos 22 elementos da Lista MEP Europa.
- Mas não lês só por ser extenso ou por mais alguma razão?
- Porque tenho os dias muito preenchidos, porque tenho centenas de mails acumulados em atraso, porque viajo todas as semanas, porque mal tenho tempo para ler os jornais de manhã, porque quero chegar a casa à tarde e ter tempo para os meus filhos e porque é impossível para mim ler um programa eleitoral com atenção no meio disto tudo.
- Então, o que é que sugeres?
- Que o graves e que publiques pequenos vídeos, ponto por ponto, ou com as ideias gerais ou como achares que é mais eloquente.
Fiquei a pensar na ideia e acho que sim, que tem razão. Amanhã vou fazer a apresentação do programa na sede do MEP, em Lisboa, e no fim vou combinar com os elementos da lista gravarmos o essencial do programa em vídeo, seguindo o índice, sublinhando as ideias-chave e, acima de tudo, tornando o programa vivo e expressivo. Espero conseguir convencê-los a todos a gravarem comigo as partes que pertencem às suas áreas específicas...
Se isso for possível e nos correr bem, ficamos com uma dupla versão do programa que depois poderá ser consultado neste blog e no site do MEP.
E já que falo da sede do MEP e dos encontros de trabalho que
se organizam semanalmente neste espaço luminoso mesmo
ao lado da Igreja da Madalena, na Baixa, a caminho da Sé, não
resisto a voltar um pouco atrás para falar do contributo artístico
que alguns artistas plásticos deram para o dia da inauguração.
No post anterior vê-se a instalação de Raquel Gomes e neste
mostro os desenhos de Diogo Guerra Pinto que ainda estão
nas paredes e dão uma cor e uma vida que não apetece perder.
E se digo que não apetece nada perder é só porque as obras
de arte pertencem aos artistas e foram o seu grande contributo
para o dia da festa. A sorte é alguns ainda as terem deixado lá.
Faltam 2 dias para a minha primeira sessão pública de apresentação das
razões da minha candidatura ao Parlamento Europeu pelo MEP, em
Lisboa. Até aqui as sessões foram todas feitas fora de Lisboa e confesso
que esta estreia na minha cidade me enche de nervos mas, também, de
satisfação. De nervos, porque sei que vão estar presentes pessoas que
conheço bem e, até, amigos ou amigos dos amigos. De satisfação, pelo
estímulo que é poder concretizar as razões, enunciar os propósitos e até
defender as minhas posições perante conhecidos e desconhecidos. Nas
sessões anteriores quase só havia desconhecidos para mim, coisa que
me deu um certo alívio e explico porquê: é que ainda estou a interiorizar a
minha nova condição de 'nova-política' e, nesta lógica, preciso de tempo e
de espaço interior para reforçar as minhas convicções. Expô-las obriga-me
a um exercício de síntese que me faz muito bem e é estimulante mas, lá
está, também me enche de nervos e sustos. Quem está a aprender uma
nova função, seja de que natureza for, percebe-me bem e isso ajuda-me.
Deixo aqui duas fotos enormes de que gosto particularmente. A de cima
é a instalação que a escultora Raquel Gomes criou para a inauguração da
sede nacional do MEP; a de baixo é uma imagem captada no dia em que
fizemos uma tertúlia na sede a propósito dos Perfis de Exclusão- Propostas
de Inclusão sobre as pessoas com deficiência ou alguma incapacidade. Na
foto a Mafalda Ribeiro, jornalista, cronista e autora do livro Mafaldisses que
devia ser de leitura obrigatória, está a fazer-me rir como sempre faz. É incrível
o testemunho de alegria, coragem, generosidade e verdade. Grande mulher!
Eis, finalmente, as breves entrevistas que fiz na CERCIGUI na sexta-feira passada.
Começo pelo Jorge Couto, que trabalhava na construção civil e foi vítima de uma
queda em altura que o deixou tetraplégico. O Jorge Couto deu-me esta entrevista
e depois deixou dois comentários neste blog, que muito agradeço e me tocaram.
Cinco dias antes do acidente de Jorge, Eduardo deu um mergulho no rio que lhe
correu mal e também o deixou tetraplégico. Tal como o Jorge, Eduardo também
trabalhava na construção civil. Muito discreto, fala baixo mas é igualmente positivo.
Eugénio Teixeira tem outra história de vida, outra experiência pessoal e profissional.
Quando tinha apenas um ano de idade teve poliomielite e ficou com dificuldades em
andar. Fez a escola primária e depois ficou em casa sem nada para fazer anos a fio.
Conheci estes três homens na CERCI de Guimarães e saí de lá com uma gratidão
infinita por existirem e serem como são. Não falo da sua deficiência, naturalmente,
mas da maneira como transcendem as suas limitações. E da atitude positiva com
que atravessam o sofrimento e vivem a adversidade diária que os obriga a vencer
mil e uma barreiras. As arquitectónicas e as outras, quero dizer. E é por estarem
tão inteiros na vida e relativizarem os seus problemas que me ajudam a viver com
mais consciência e a relativizar os meus pequenos e médios dramas. E dilemas...