Segunda-feira, 9 de Março de 2009
A casa dos bebés e crianças retiradas às famílias

 

Começo por voltar ao CAT, o Centro de Atendimento Temporário

de crianças e jovens em risco, de Viseu, que fiquei a conhecer no

fim-de-semana e não me sai da cabeça por mil e uma razões que

passo a explicar. Primeiro, pela incontornável realidade de acolher

bebés e crianças muito pequenas que foram retiradas aos pais e

famílias por serem maltratadas ou negligenciadas. Dói sempre a

certeza de que estas crianças não foram amadas e foram rejeitadas. 

  

 

Nestes berços estão deitados bebés muito pequenos que os

pais não foram capazes de amar nem cuidar, e impressiona

olhar para eles por serem tão queridos, tão frágeis e ainda tão

carentes de amor e cuidados. Comoveu-me este CAT por ser

um espaço tão familiar onde se sente o carinho e todo o amor

que uma equipa inteira de profissionais dão aos mais frágeis.

 

 

Olhar para as carinhas dos bebés, tocar nas suas mãos, sentir

o seu cheiro e a sua pele, ver como olham com os seus olhos

inocentes para um mundo por vezes tão adverso e cruel, enche

de ternura e, ao mesmo tempo, de frustração. Todos nós os da

equipa MEP-Europa que visitámos esta instituição, ficámos de

lágrimas nos olhos pela maravilha de trabalho que é feito com

estas crianças mas também pela dor e sofrimentos passados.

 

 

Tudo no ambiente deste CAT é tranquilo e bonito. Já visitei

muitos centros desta natureza e foram raros os que vi tão

bem cuidados, tão luminosos e tão familiares. A beleza da

casa onde se recebem crianças em risco importa muito até

porque estas crianças sentem e absorvem o que anda no ar.

Aqui todos os pormenores contam e foram muito pensados.

 

 

Até a arrumação das roupas e os armários onde se guarda

tudo o que outros oferecem a estas crianças está impecável.

Dá gosto ver uma ''casa de família'' onde há 22 ''filhos'' com

tudo tão em ordem. A organização e a arrumação importam! 

 

 

Do outro lado da casa existe uma sala ampla e arejada onde

as crianças brincam e se entretêm fora das horas de aulas e

onde os voluntários dão apoio nas brincadeiras mas também

nos estudos dos que já andam na escola. Há crianças com

idades compreendidas entre os 0 e os 6 anos e, por isso, há

as que vão à escola e começam a aprender a ler e escrever.

 

 

Apetece estar nesta sala colorida, divertida, onde há muito

espaço para brincadeiras. Este palhaço foi feito por todos

e agora vive encostado a uma das janelas que dão para o

pátio lá fora. Sobre este pátio gostava de dizer duas coisas.

 

 

A primeira é que é um pátio enorme e tentador para aproveitar

como recreio para estas crianças brincarem. A segunda é que

não é possível deixar as crianças ir para o pátio porque há lá

dois tanques enormes, com água, onde se poderiam afogar

em menos de dois minutos. É uma pena que estes tanques

permaneçam ali sem destino, a impedir estas crianças de ter

um espaço ao ar livre para brincarem e crescerem mais livres.

 

 

Vou escrever uma carta ao presidente da Câmara de Viseu a

falar destes tanques e a perguntar se se pode fazer alguma

coisa em breve. Bastaria esvaziá-los e cobri-los de terra ou

areia para criar ali um parque de diversões. Não me parece

impossível e tenho a certeza de que está ao alcance da CMV

fazer qualquer coisa que potencie o bem-estar das crianças.

 

 

Finalmente gostava de deixar aqui umas linhas à Drª Paula

Menezes, a directora do CAT de Viseu que me marcou pela

atitude positiva, pelo sorriso permanente (e contagiante) e

pela sensibilidade e ternura com que fala de cada uma das

'suas' 22 crianças. Não conseguirei nunca agradecer-lhe o

suficiente por ser esta luz no mundo e por devolver aos mais

frágeis o sorriso e a confiança na vida. E a dignidade também!

 

 

Toda a equipa MEP-Europa saiu desta pequena-grande casa

comovida e grata por nos terem aberto as portas e nos terem

feito sentir em casa. A Drª Paula Menezes tem a minha idade

(47 anos) e vive inteiramente dedicada a todos estes ''filhos''

e sublinho aqui a minha profunda admiração pela maneira

como exerce esta forma tão generosa de maternidade. Dar

colo a quem não tem colo, encher de mimos quem nunca os

teve, cuidar, abraçar, alimentar, vestir e educar bebés e crianças

cujo passado foi todo vivido em dor e abandono é muito mais

do que um trabalho. É uma verdadeira missão! Muito obrigada.

 

 

E termino este longo post com a imagem da entrada do CAT

da Misericórdia de Viseu, como uma breve despedida de quem

sabe que pode voltar mais vezes porque a porta estará sempre

aberta. Quem me dera poder ajudar e quem me dera que os 2

tanques de pedra do pátio deixem de existir muito em breve! 



publicado por Laurinda Alves às 11:30
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
O Banco BIPP é um seguro de vida!

 

Joana Santiago, mãe de 3 filhos, um deles com multideficiência, criou o BIPP
 
Em tempos de crise e à margem de todas as teorias da macro-economia e da ciência política, vão-se criando bancos que funcionam e cujo sucesso se mede pela quantidade de pessoas e projectos que apoiam e não pelos lucros financeiros que geram. É o caso do novo Banco BIPP, o Banco de Informação de Pais para Pais.
 
Trata-se de mais uma IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social – criada por pais de filhos com necessidades especiais. Os pais com filhos diferentes sofrem na pele a realidade da exclusão, a falta de recursos, a ausência de respostas e o deficit de informação em matéria de acolhimento e acompanhamento de crianças e jovens portadores de deficiência.
 
“Nunca estamos preparados para receber um filho com necessidades especiais.”, diz a mãe de uma criança diferente que vive diariamente o drama da integração. Esta e outras mães e pais sabem muito bem que a nossa sociedade está muito aquém de ser uma sociedade inclusiva, tolerante e aberta à diferença. É pena que assim seja mas é a mais pura e dura das verdades.
 
Conscientes dos dilemas morais, emocionais e logísticos desta legião de famílias diariamente confrontadas com barreiras de todas as naturezas, e obstáculos de todos os tamanhos e feitios, um grupo de pais liderado por Joana Santiago decidiu criar o BIPP. Aliás a ideia, o investimento e quase todo o esforço de levantamento da realidade-real para criar este banco partiu dela e foi contagiando os outros.
 
Joana Santiago é mãe de três filhos, um deles com multideficiência e sem diagnóstico definido, coisa que revela uma dificuldade ainda maior em lidar com as suas necessidades específicas.
 
Conheci a Joana Santiago numa tertúlia sobre a integração de deficientes organizada pelo MEP na sua recém-inaugurada sede nacional, onde estive na tripla condição de moderadora, participante e ‘nova política’ que defende estas e outras causas que envolvem os mais desprotegidos, os mais vulneráveis e os mais frágeis da sociedade.
 
A Joana apresentou este projecto perante uma plateia a transbordar de pessoas interessadas e qualificadas nesta matéria e todos ficámos a saber que estamos em vésperas de assistir à abertura de duas Lojas do Cidadão vocacionadas para dar respostas às famílias e profissionais que lidam com todos os tipos de deficiência.
 
“A recolha de toda esta informação foi uma missão quase impossível porque o Estado não cruza informação”. Joana Santiago contou como tudo começou e os anos que passou a pesquisar dados e a sistematizar informação útil para pôr em funcionamento um portal online e abrir as duas Lojas do Cidadão.
 
A partir de agora qualquer pessoa que tenha dúvidas concretas quanto ao apoio material, financeiro, psicológico, educativo, vocacional, profissional ou outros pode dirigir-se a uma destas Lojas do Cidadão (uma em Cascais e outra em Lisboa, nas instalações do ACP) ou aceder ao portal do BIPP (www.bipp.pt) ou, ainda, enviar um mail para bancobipp@gmail.com e fazer todas as perguntas na certeza de que terá sempre respostas.

 

 

 

Nota: Este texto foi publicado na minha página de crónicas do Público na sexta-feira passada.



publicado por Laurinda Alves às 10:03
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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Maravilha, hoje só tive boas notícias!

Tal como acabei de escrever no meu blog A Substância da Vida, hoje o meu dia só teve boas notícias. O irmão de António Garcia, sobre quem escrevi no jornal Público e no post anterior, foi hoje contactado pelo deputado João Rebelo, vice presidente da Comissão de Defesa, no sentido de apurar os factos e dar sequência a um processo injustamente em suspenso há 5 anos. É por estas pequenas-grandes coisas que nunca podemos deixar de acreditar que melhor é sempre possível!  



publicado por Laurinda Alves às 18:29
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A triste história de António Garcia

 

Volto a publicar aqui esta fotografia que tirei na CERCIGUI, em Guimarães, porque escrevi uma crónica no jornal Público sobre o António Garcia (é o que está sentado na imagem, de óculos e casaco azul escuro). Deixo-a aqui também porque não podemos ficar indiferentes às injustiças, às faltas de apoio e às falhas graves de comunicação. É uma triste história por um lado mas, por outro, é uma história de grande dignidade e preserverança do António, da sua família, amigos e formadores.

 
 
António Garcia, 33 anos, 2º Sargento Paraquedista com uma folha de serviço irrepreensível e missões cumpridas na Bósnia e em Timor de onde voltou com louvores, regressou à base de S.Jacinto, em Aveiro, onde prosseguiu a sua carreira até à data de 26 de Novembro de 2002, dia em que se sentiu mal logo pela manhã. Como estava de serviço permaneceu firme no seu posto até ao hastear da bandeira e só depois pegou na bicicleta para se ir queixar ao oficial de dia de tremuras numa perna e visão desfocada. Nem os tremores nem o olhar turvo o impediram de cumprir as suas obrigações matinais mas uma vez chegado ao gabinete do oficial de dia era mais que evidente que já estava em grande sofrimento. Sem hesitações o superior mandou chamar uma ambulância e António Garcia foi internado com um diagnóstico de aneurisma e um prognóstico reservado.
 
Durante o mês de Novembro e Dezembro a situação clínica de António era de tal maneira grave e delicada que os médicos hesitaram na decisão de o operar. Sabiam que António corria perigo de vida e tudo indicava que podia não sobreviver à intervenção cirúrgica. Depois desta longa ponderação, António foi operado no dia 8 de Janeiro de 2003 no hospital de Sto António, no Porto, onde permaneceu em coma durante algumas semanas.
 
Cinco dias antes de ser operado o pai de António morreu e a mãe ficou viúva com dois filhos, um deles entre a vida e a morte. Abreviando a história, António sobreviveu à operação e regressou à vida com sequelas físicas muito graves e uma incapacidade na ordem dos 93%. Intelectualmente não foi afectado e continua a ter o mesmo espírito brilhante e a mesma memória prodigiosa que sempre teve mas fisicamente está muito limitado.
 
Desloca-se em cadeira de rodas, precisa de adaptações permanentes para viver uma vida razoavelmente integrada e tem graves dificuldades na expressão verbal. Embora fale mais devagar, percebe-se tudo o que diz mas é muito evidente a limitação na comunicação.
Conheci o António Garcia no fim-de-semana passado em Guimarães, numa visita à CERCIGUI, no centro de reabilitação e formação profissional onde ele e muitos outros frequentam cursos que lhes permitem tentar uma integração no futuro próximo.
 
O António chama a atenção pelo espírito vivo, pela inteligência dos seus comentários, pela alegria do sorriso mas, também, pela imensa tristeza no olhar que contrasta com a atitude aparentemente positiva e descontraída. Os olhos do António gritam no silêncio e não percebi logo porquê. Sentei-me ao seu lado para conversarmos e ele contou-me a história que agora conto e que infelizmente tem contornos muito feios que envergonham fatalmente todos os responsáveis militares e civis que até hoje se recusaram a prestar qualquer apoio ou a dar qualquer informação ao António.

 

Por incrível que pareça, nestes 6 anos que se seguiram ao episódio do aneurisma que, sublinho e insisto, aconteceu quando António estava de serviço no seu posto, na Base Militar de São Jacinto, em Aveiro, ninguém deu um passo para saber o que era preciso fazer e, muito menos, para dizer como o António Garcia e a sua família poderiam ser ajudados, apoiados ou encaminhados. Pior, nem as cartas escritas ao Chefe do Estado Maior do Exército, nem os pedidos de informação feitos à própria hierarquia da Base de S.Jacinto, nem a exposição dirigida ao Ministro da Defesa nem a carta escrita ao presidente da república tiveram outro eco para além de uma nota oficial de que tinham sido recebidas. Mais nada.

 

A mim, que só o conheci há uma semana, choca-me esta realidade e tira-me o sono saber que há quem acorde e adormeça todos os dias sem cumprir o seu dever perante um militar que cumpriu escrupulosamente o seu. António Garcia prestou serviços à nação com louvores e mérito, tem uma folha impecável onde constam 63 saltos e um acidente que lhe provocou um traumatismo craniano (um acidente de trabalho, note-se!) e apesar de estar ao serviço da Instituição Militar no dia em que ocorreu o episódio do aneurisma que o atirou para uma cadeira de rodas e o deixou gravemente incapacitado, não recebe um cêntimo do Estado nem o mais vago apoio das Forças Armadas. Bonito serviço!

 

A mim choca-me e envergonha-me esta triste história e como não acredito que seja só a mim, deixo aqui o telemóvel do irmão de António, que se chama Ricardo, é polícia e trabalha incessantemente para sustentar o irmão, para o caso de alguém querer e poder dar as respostas a tantas perguntas que continuam sem resposta. As tais de que falo no texto anterior. Não se trata de angariar fundos nem de dar dinheiro, mas sim de responsabilizar quem é responsável. Só isso. Aqui fica o número: 960479793

 



publicado por Laurinda Alves às 10:59
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Vésperas da minha 1ª sessão pública em Lisboa!

 

Faltam 2 dias para a minha primeira sessão pública de apresentação das

razões da minha candidatura ao Parlamento Europeu pelo MEP, em

Lisboa. Até aqui as sessões foram todas feitas fora de Lisboa e confesso

que esta estreia na minha cidade me enche de nervos mas, também, de

satisfação. De nervos, porque sei que vão estar presentes pessoas que 

conheço bem e, até, amigos ou amigos dos amigos. De satisfação, pelo

estímulo que é poder concretizar as razões, enunciar os propósitos e até

defender as minhas posições perante conhecidos e desconhecidos. Nas

sessões anteriores quase só havia desconhecidos para mim, coisa que

me deu um certo alívio e explico porquê: é que ainda estou a interiorizar a

minha nova condição de 'nova-política' e, nesta lógica, preciso de tempo e

de espaço interior para reforçar as minhas convicções. Expô-las obriga-me

a um exercício de síntese que me faz muito bem e é estimulante mas, lá

está, também me enche de nervos e sustos. Quem está a aprender uma

nova função, seja de que natureza for, percebe-me bem e isso ajuda-me.

Deixo aqui duas fotos enormes de que gosto particularmente. A de cima

é a instalação que a escultora Raquel Gomes criou para a inauguração da

sede nacional do MEP; a de baixo é uma imagem captada no dia em que

fizemos uma tertúlia na sede a propósito dos Perfis de Exclusão- Propostas

de Inclusão sobre as pessoas com deficiência ou alguma incapacidade. Na

foto a Mafalda Ribeiro, jornalista, cronista e autora do livro Mafaldisses que

devia ser de leitura obrigatória, está a fazer-me rir como sempre faz. É incrível

o testemunho de alegria, coragem, generosidade e verdade. Grande mulher! 

 

 

 



publicado por Laurinda Alves às 17:20
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Testemunhos de vida, exemplos de coragem

Eis, finalmente, as breves entrevistas que fiz na CERCIGUI na sexta-feira passada.

Começo pelo Jorge Couto, que trabalhava na construção civil e foi vítima de uma

queda em altura que o deixou tetraplégico. O Jorge Couto deu-me esta entrevista

e depois deixou dois comentários neste blog, que muito agradeço e me tocaram.

 

 

Cinco dias antes do acidente de Jorge, Eduardo deu um mergulho no rio que lhe

correu mal e também o deixou tetraplégico. Tal como o Jorge, Eduardo também 

trabalhava na construção civil. Muito discreto, fala baixo mas é igualmente positivo.

 

 

Eugénio Teixeira tem outra história de vida, outra experiência pessoal e profissional.

Quando tinha apenas um ano de idade teve poliomielite e ficou com dificuldades em

andar. Fez a escola primária e depois ficou em casa sem nada para fazer anos a fio.

 

 

Conheci estes três homens na CERCI de Guimarães e saí de lá com uma gratidão

infinita por existirem e serem como são. Não falo da sua deficiência, naturalmente,

mas da maneira como transcendem as suas limitações. E da atitude positiva com

que atravessam o sofrimento e vivem a adversidade diária que os obriga a vencer

mil e uma barreiras. As arquitectónicas e as outras, quero dizer. E é por estarem

tão inteiros na vida e relativizarem os seus problemas que me ajudam a viver com

mais consciência e a relativizar os meus pequenos e médios dramas. E dilemas...



publicado por Laurinda Alves às 23:00
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Lean thinking ou o método do pensamento magro

 

João Paulo Pinto, Professor Auxiliar da Faculdade de Engenharia

de Vila Nova de Famalicão, é um dos fundadores da Comunidade

Portuguesa Lean Thinking. Tive a oportunidade de o conhecer neste

fim-de-semana de campanha pelo Minho e foi um enorme prazer ver

como a sociedade civil se mobiliza cada vez mais em torno de boas

ideias e boas práticas. O 'pensamento magro', tradução literal de Lean

Thinking, traduz-se num esforço permanente para eliminar as gorduras

nas empresas e serviços e transformá-las em músculo. Dito assim até

parece impossível, mas a realidade prova que se trata de uma filosofia e

de um método absolutamente fundamentais nos tempos que correm, em

que o desperdício de energias, tempo e recursos é fatal nas empresas.

Todos sabemos que em todo o lado é possível melhorar as performances

e os resultados, basta estarmos mais centrados no que é essencial e não

perder tempo com o que é acessório. Nas corridas de Fórmula 1 ninguém 

brinca em serviço porque todos estão conscientes de que uma corrida se

perde ou se ganha até pelo tempo que se demora a trocar um pneu. Esta

consciência faz com que nem um segundo poss ser desperdiçado, e em

7" o corredor entra e sai da boxe com os pneus trocados. Nas empresas e

serviços públicos ou privados gasta-se muito tempo a fazer coisa nenhuma

e desperdiçam-se muitos recursos financeiros e outros, sem necessidade.

O método Lean Thinking nasceu no Japão, no fim da IIª Grande Guerra, num

país devastado e em escombros que precisava absolutamente de recuperar.

Hoje em dia muitos países aplicam a filosofia Lean Thinking e Portugal também.

 

  

Fazer campanha pelo país fora é isto: dar-me a conhecer e conhecer. Ficar mais

ciente da realidade, ter consciência daquilo que fazemos e de quem somos hoje

em dia. Os telejornais todos os dias falam de desemprego e catástrofes que

infelizmente existem e têm que ser noticiadas mas também há as boas notícias

e essas quase nunca são notícia. É pena, pois são as que permitem continuar a

acreditar que o mundo é um lugar possível e que também nós podemos contribuir

para acrescentar valor e resgatar a confiança e a esperança em dias melhores ... 



publicado por Laurinda Alves às 17:19
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A história de umas luvas castanhas

 

Há gestos que nos marcam e pessoas que ficam para sempre

no nosso coração. Este fim-de-semana no Minho foi um tempo

radicalmente feliz para mim e para toda a equipa MEP que vai

percorrendo comigo os caminhos deste país, onde nos damos

a conhecer e onde queremos ficar em contacto com a realidade.

O frio granítico dos útimos dias fez-me andar a tremer pelas ruas

de pés e mãos sempre geladas e a sentir-me desconfortável ... 

 

 

A meio da manhã cruzei-me nas ruas do centro de Braga com

Alice, uma professora muito alegre e descontraída que me viu

ao fundo e veio ter comigo. Viu que estava de mãos geladas e

tirou automaticamente as luvas das suas mãos e ofereceu-mas.

Primeiro não as quis aceitar mas depois da insistência de Alice

acabei por ficar com elas e assumo  que me deram muito jeito.

 

 

Comoveu-me este gesto e confesso que a Alice é agora uma

das pessoas que me acompanha para sempre. A alegria com

que tirou as luvas para me dar e a descontracção com que me

disse que sim, senhora, claro que me ia ouvir à noite à Junta

de Freguesia de S.Vítor ( e foi! ) fizeram o meu dia neste dia. E

se conto isto aqui e agora é para sublinhar ao privilégio que é

poder percorrer o país de norte a sul em campanha e conhecer

pessoas como a professora Alice e tantas outras.Que maravilha! 



publicado por Laurinda Alves às 13:52
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009
Mais pessoas que conheci na CERCIGUI

 

Deixo aqui mais imagens das oficinas e ateliers da CERCIGUI

onde os jovens aprendem artes e ofícios. Neste caso aprendem

a fazer sapatos e arranjos de sapateiro, uma arte que nunca se

pode perder. Gostei muito dos sapatos de cores em camurça.

 

 

Os centros de actividades ocupacionais destinam-se a pessoas

com deficiência moderada, grave e profunda com idade superior

a 16 anos e os objectivos dos centros da CERCIGUI são facilitar

a integração social destas pessoas bem como manter os jovens

activos e interessados, estimulando todas as suas capacidades.

 

 

 

Eis o autor dos sapatos de que mais gostei. É um rapaz discreto

que prefere não falar e tenta passar sempre mais despercebido...

 

 

Neste atelier fazem-se estampagens em tecidos e o processo

é, em si, muito criativo e artístico. Quem frequenta estes ateliers 

gosta do que faz e sente-se útil e isso é radicalmente importante.

 

 

Na última sala conheci o António, o único que nesta imagem

aparece sentado, mais o Alexandre que está ao centro, e os

Pedros (Pedro Miguel, Pedro Rafael e Pedro Filipe) que são

orientados pelo Helder Marques, o formador de informática

nas áreas do secretariado e apoio administrativo. Foi muito

importante para mim conhecer a CERCIGUI e o trabalho que

fazem mas o maior privilégio foi conhecer os que frequentam

os centros. Sobre o António ainda hei-de falar esta semana... 

E tenho muito mais coisas para contar e mostrar sobre este

tempo passado no Minho mas confesso que agora me sinto

demasiado cansada para o fazer. Ao longo da semana conto!



publicado por Laurinda Alves às 20:23
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Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
A CERCI de Guimarães

 

Gostei muito do painel da entrada na CERCIGUI, em Guimarães,

por ser um quadro de quadros. Uma sucessão de retratos e de

autoretratos feitos pelos utentes desta casa. A Cooperativa para

a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Guimarães

foi criada em 1977 para apoiar a população com deficiência bem como

as suas famílias. Na CERCIGUI as pessoas com handicaps físicos ou

outras limitações sentem-se em casa e aprendem competências que

potenciam os seu talentos. Há casos muito diversificados e, por isso,

cada caso é um caso e cada pessoa é única na CERCIGUI.

 

 

 

Nesta imagem o Eugénio Teixeira e o Jorge Couto aprendem técnicas

de informática e design com a formadora Rute. Gravei entrevistas com

ambos mas só as posso publicar mais tarde. Em todo o caso conto já

de forma abreviada a história de Jorge e Hermínio: o Jorge, que está

sentado, tem 41 anos e trabalhava na construção civil quando teve o

acidente que o deixou tetraplégico. Caiu de uma altura considerável e

a queda foi fatal. Passaram cinco anos e meio e o Jorge considera-se

um homem feliz e realizado e é impressionante a força que transmite.

O Eugénio teve poliomilelite quando tinha 1 ano e ficou com limitações

físicas. Depois da escola primária passou muitos anos em casa, sem

nada para fazer, até que descobriu a CERCIGUI. Ou a CERCIGUI a ele. 

 

 

O Eduardo, que está de branco, sentado numa cadeira de rodas

ficou tetraplégico poucos dias antes do acidente do Jorge. Eduardo

também trabalhava na construção civil mas o acidente dele foi no rio.

Um mergulho mal dado mudou radicalmente a sua vida. Sobre ele,

sobre a Inês, sobre os ateliers e oficinas da CERCIGUI voltarei a falar

mais tarde. Agora tenho que ir para as ruas de Braga distribuir os flyers

até ao almoço. Esta vinda a Viana, Braga, Guimarães e Joane (de onde

escrevo a esta hora) está a ser um tempo de conhecimento da realidade

real do nosso país. Um privilégio, portanto. Uma grande sorte para mim!

 



publicado por Laurinda Alves às 11:05
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009
Encontros de rua e breves conversas

 

Quando comecei as acções de campanha e me propuseram ir para a rua

com elementos da equipa MEP Europa entregar os flyers onde convidamos

as pessoas a estarem presentes nas sessões de onde apresento as razões

da minha candidatura e o Rui Marques apresenta o programa do MEP e fala da 

política da esperança, fiquei apavorada com a ideia de me plantar nas praças ou

andar pelos passeios a entregar folhetos com a minha cara. Achei que não ia ser

capaz de fazer uma coisa que nunca tinha feito na vida e nunca tinha pensado fazer. 

Mas não tive coragem de dizer que não e lá fui ter com a Celina e o Alexandre à rua.

 

 

Ia com a sensação de que aquele fato não era feito à minha medida e explico

porquê. Embora seja uma comunicadora e tenha construído a minha carreira

a partir do contacto com muitas realidades e muitas pessoas, a minha natureza

é e permanece tímida. Sou capaz de dar a cara por causas e por pessoas mas

tenho pudor de dar a cara por mim. Sei que parece absurdo mas também sei que

muitos compreendem o que quero dizer.

 

 

Abreviando a história da primeira experiência de contacto com as pessoas

na rua nesta minha nova condição de ‘nova política’, os primeiros minutos

foram de desconforto porque não sabia como havia de fazer a abordagem

mas bastou perguntar à primeira pessoa que passou por mim se lhe podia

fazer um convite e ela abrir um sorriso e parar para ouvir o que lhe queria dizer,

para me sentir mais confiante. Em Aveiro comecei por encontrar uma Laurinda.

 

 

 

A seguir a esta vieram outras e outros e aquilo que era para durar uma hora

estendeu-se ao longo de duas horas e meia e foi uma alegria poder conversar

ainda que de forma breve com desconhecidos, fazer pequenos e médios diálogos

sobre coisas mais ou menos banais, ouvir alguns desabafos que me deixaram a

pensar, perceber as causas de certas coisas e por aí adiante…

 
 
 
A primeira vez que fiz uma ‘arruada’, como se diz em gíria política, foi no centro
de Aveiro. Foi muito bom este contacto mais directo e mais avulso, por assim dizer.
Gosto muito de falar com as pessoas mas nunca tinha tido esta experiência de as
interpelar na rua. Habitualmente vou a lugares onde é suposto falar e ouvir e onde
as pessoas se reúnem com essa intenção. Nas ruas é diferente porque cada um
está na sua vida, vai com os seus pensamentos e as suas pressas, não deram
passos para me encontrar nem estavam a pensar parar para me ouvir ou para falar
comigo. E é justamente por serem tão naturais e tão agradáveis quando as interpelo
e por se deterem para ver o que lhes estou a dizer que esta experiência das ‘arruadas’
se tornou tão importante, gratificante e estimulante para mim. E, afinal, tão fácil!
 
 
Este fim de semana fiz o mesmo em Coimbra e Leiria. Em Coimbra chovia muito e,
por isso, limitei-me a entregar os flyers no perímetro da Universidade, onde almocei
e me encontrei com o novo presidente da Associação Académica, depois de ter dado
uma longa entrevista à Rádio Universidade. Em Leiria fazia sol e tive a sorte de me
cruzar com pessoas extraordinárias e incrivelmente queridas comigo. Param, ouvem
e aceitam o meu convite com o propósito de me irem ouvir e algumas vão mesmo.
 

 

Aurea Pena, professora de piano e violoncelo em Leiria, faz 90 anos no dia 25 de

Abril. Conheci-a ontem, nestas minhas andanças de rua e adorei o nosso breve

mas intenso encontro. Falámos sobre a vida, sobre a música e os seus talentos,

confessei-lhe que o piano, o violino e o violoncelo são os meus instrumentos de

eleição, e demos algumas gargalhadas por coisa nenhuma, simplesmente pelo

prazer de nos termos conhecido e pelo sentido de humor de Aurea. A sua alegria

e a sua boa forma levaram-me a pedir que me desse uma breve entrevista. E deu.

 

 

Antes, porém, pedi-lhe para ver os seus olhos pois achei-a muito bonita e gostava

de a ver sem óculos escuros. E ela tirou e disse com um sorriso e uma naturalidade

desarmante que em nova era mais bonita. Chamavam-lhe a Joan Crawford portuguesa.

Não a conheci em nova mas acho-a linda agora que vai fazer 90 anos com esta luz.

 

 



publicado por Laurinda Alves às 12:23
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