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Crónicas de campanha

Crónicas de campanha

12
Mar09

Pia do Urso e um Parque Eco-Sensorial único!

Laurinda Alves

 

Passei metade de uma tarde na célebre aldeia de Pia do Urso,

entre Fátima e a Batalha, a percorrer os caminhos do primeiro

e único Parque Eco-Sensorial que existe no nosso país.A aldeia

foi toda recuperada e parece uma daquelas aldeias provençais

onde apetece passar um tempo demorado, descontraído e livre.

 

 

Por entre as casas da aldeia foi desenhado no chão um caminho

diferente para pessoas com problemas de visão. Os cegos e os

amblíopes podem percorrer todo o Parque Eco-Sensorial sem a

ajuda de ninguém pois não só todas as pistas estão inscritas em

braille, como o próprio pavimento guia os seus passos com mais

segurança e certezas. Entre a calçada de pedra há um caminho de

madeira que permite sentir que estão sempre no caminho certo...

 

 

Num país onde tudo é obstáculo e barreira arquitectónica para

quem tem deficiências e handicaps físicos ou outros, é bom ir

a um lugar expressamente pensado e desenhado a pensar nos

que veem com muitas dificuldades. O Parque Eco-Sensorial de

Pia do Urso tem várias estações e é fascinante conhecê-las.

 

 

Achei uma graça particular a esta Marcha para Aljubarrota e

não resisti a fotografar os 'guerreiros'. Alguém atrás de mim

também fotografou e foi assim que fiquei dentro da paisagem.

 

 

Todo o percurso do Parque Eco-Sensorial é uma descoberta

permanente e a aventura é ir descobrindo cada estação de sua

vez. A seguir aos guerreiros há uma estação planetária e ainda

uma experiência de abstracção. Adorei conhecer tudo isto e dou

os meus sinceros parabéns a quem teve esta iniciativa positiva!

 

 

 

10
Mar09

BricoSolidário: arranjos ao domicílio

Laurinda Alves

 

Este é o senhor Pascoal, um dos efectivos mais importantes

do projecto BricoSolidário, uma iniciativa muito inovadora das

câmaras da Guarda e Sabugal. A ideia é muito simples e tem

a ver com a realidade desta zona do interior, próxima da raia:

as aldeias estão cada vez mais desertas e as pessoas cada

vez mais sós e entregues à sua sorte. Para contrariar todo o

abandono a que são votadas as gerações mais velhas (há

lugares e aldeias onde hoje em dia moram apenas 3 idosos,

cada um em sua casa, muito distantes entre si) alguém teve

a feliz ideia de lançar um projecto de arranjos ao domicílio.

 

 

E foi assim que nasceu uma parceria entre duas Câmaras

Municipais. Decidiram candidatar-se aos Fundos Europeus

e conseguiram montar a estrutura de um projecto que pode

e deve ser replicado em muitos outros lugares remotos do

país. E não só. Esta ideia serve qualquer aldeia ou vila onde

os habitantes estejam mais sós e com menos recursos. A

carrinha do BricoSolidário é como aquelas carrinhas antigas

que percorriam as aldeias e vilas a apitar pelas ruas, para

anunciar que traziam legumes e fruta ou peixe fresco. Desta

vez não se trata de vender alimentos mas de oferecer arranjos

nas casas. Pequenos e médios consertos que podem ir de

uma simples lâmpada ou torneira a trabalhos mais elaborados

de canalizador ou pedreiro. Mais do que oferecer apenas estes

serviços, o que este projecto proporciona é uma possibilidade

de relação, e o calor humano que sempre entra numa casa se

alguém vem por bem. Adorei conhecer o projecto e o sr. Pascoal.

 

 

Dentro da carrinha há uma espécie de oficina onde há de tudo.

Impressiona-me sempre conhecer pessoas e projectos que

apoiam quem mais precisa de ser apoiado. E este é um caso!

 

18
Fev09

O Banco BIPP é um seguro de vida!

Laurinda Alves

 

Joana Santiago, mãe de 3 filhos, um deles com multideficiência, criou o BIPP
 
Em tempos de crise e à margem de todas as teorias da macro-economia e da ciência política, vão-se criando bancos que funcionam e cujo sucesso se mede pela quantidade de pessoas e projectos que apoiam e não pelos lucros financeiros que geram. É o caso do novo Banco BIPP, o Banco de Informação de Pais para Pais.
 
Trata-se de mais uma IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social – criada por pais de filhos com necessidades especiais. Os pais com filhos diferentes sofrem na pele a realidade da exclusão, a falta de recursos, a ausência de respostas e o deficit de informação em matéria de acolhimento e acompanhamento de crianças e jovens portadores de deficiência.
 
“Nunca estamos preparados para receber um filho com necessidades especiais.”, diz a mãe de uma criança diferente que vive diariamente o drama da integração. Esta e outras mães e pais sabem muito bem que a nossa sociedade está muito aquém de ser uma sociedade inclusiva, tolerante e aberta à diferença. É pena que assim seja mas é a mais pura e dura das verdades.
 
Conscientes dos dilemas morais, emocionais e logísticos desta legião de famílias diariamente confrontadas com barreiras de todas as naturezas, e obstáculos de todos os tamanhos e feitios, um grupo de pais liderado por Joana Santiago decidiu criar o BIPP. Aliás a ideia, o investimento e quase todo o esforço de levantamento da realidade-real para criar este banco partiu dela e foi contagiando os outros.
 
Joana Santiago é mãe de três filhos, um deles com multideficiência e sem diagnóstico definido, coisa que revela uma dificuldade ainda maior em lidar com as suas necessidades específicas.
 
Conheci a Joana Santiago numa tertúlia sobre a integração de deficientes organizada pelo MEP na sua recém-inaugurada sede nacional, onde estive na tripla condição de moderadora, participante e ‘nova política’ que defende estas e outras causas que envolvem os mais desprotegidos, os mais vulneráveis e os mais frágeis da sociedade.
 
A Joana apresentou este projecto perante uma plateia a transbordar de pessoas interessadas e qualificadas nesta matéria e todos ficámos a saber que estamos em vésperas de assistir à abertura de duas Lojas do Cidadão vocacionadas para dar respostas às famílias e profissionais que lidam com todos os tipos de deficiência.
 
“A recolha de toda esta informação foi uma missão quase impossível porque o Estado não cruza informação”. Joana Santiago contou como tudo começou e os anos que passou a pesquisar dados e a sistematizar informação útil para pôr em funcionamento um portal online e abrir as duas Lojas do Cidadão.
 
A partir de agora qualquer pessoa que tenha dúvidas concretas quanto ao apoio material, financeiro, psicológico, educativo, vocacional, profissional ou outros pode dirigir-se a uma destas Lojas do Cidadão (uma em Cascais e outra em Lisboa, nas instalações do ACP) ou aceder ao portal do BIPP (www.bipp.pt) ou, ainda, enviar um mail para bancobipp@gmail.com e fazer todas as perguntas na certeza de que terá sempre respostas.

 

 

 

Nota: Este texto foi publicado na minha página de crónicas do Público na sexta-feira passada.

13
Fev09

O que eu e o MEP defendemos para a Europa

Laurinda Alves

Ontem, alguém particularmente importante na minha vida e com uma visão estratégica sobre a política, a multiplicação dos talentos, o mundo das ideias e a maneira como comunicamos uns com os outros disse-me:

 

-  Por mais que me identifique contigo ou com o MEP jamais terei tempo e concentração suficientes para ler todo o vosso progama eleitoral para a Europa.

 

Fiquei decepcionada, claro, até porque (passe a parcialidade radical!) considero que temos um excelente programa e digo-o na certeza de que eu apenas contribui com uma parte pois o documento saiu em partes rigorosamente iguais dos 22 elementos da Lista MEP Europa.

 

- Mas não lês só por ser extenso ou por mais alguma razão?

- Porque tenho os dias muito preenchidos, porque tenho centenas de mails acumulados em atraso, porque viajo todas as semanas, porque mal tenho tempo para ler os jornais de manhã, porque quero chegar a casa à tarde e ter tempo para os meus filhos e porque é impossível para mim ler um programa eleitoral com atenção no meio disto tudo.

- Então, o que é que sugeres?

- Que o graves e que publiques pequenos vídeos, ponto por ponto, ou com as ideias gerais ou como achares que é mais eloquente.

 

Fiquei a pensar na ideia e acho que sim, que tem razão. Amanhã vou fazer a apresentação do programa na sede do MEP, em Lisboa, e no fim vou combinar com os elementos da lista gravarmos o essencial do programa em vídeo, seguindo o índice, sublinhando as ideias-chave e, acima de tudo, tornando o programa vivo e expressivo. Espero conseguir convencê-los a todos a gravarem comigo as partes que pertencem às suas áreas específicas...

Se isso for possível e nos correr bem, ficamos com uma dupla versão do programa que depois poderá ser consultado neste blog e no site do MEP.

 

09
Fev09

Lean thinking ou o método do pensamento magro

Laurinda Alves

 

João Paulo Pinto, Professor Auxiliar da Faculdade de Engenharia

de Vila Nova de Famalicão, é um dos fundadores da Comunidade

Portuguesa Lean Thinking. Tive a oportunidade de o conhecer neste

fim-de-semana de campanha pelo Minho e foi um enorme prazer ver

como a sociedade civil se mobiliza cada vez mais em torno de boas

ideias e boas práticas. O 'pensamento magro', tradução literal de Lean

Thinking, traduz-se num esforço permanente para eliminar as gorduras

nas empresas e serviços e transformá-las em músculo. Dito assim até

parece impossível, mas a realidade prova que se trata de uma filosofia e

de um método absolutamente fundamentais nos tempos que correm, em

que o desperdício de energias, tempo e recursos é fatal nas empresas.

Todos sabemos que em todo o lado é possível melhorar as performances

e os resultados, basta estarmos mais centrados no que é essencial e não

perder tempo com o que é acessório. Nas corridas de Fórmula 1 ninguém 

brinca em serviço porque todos estão conscientes de que uma corrida se

perde ou se ganha até pelo tempo que se demora a trocar um pneu. Esta

consciência faz com que nem um segundo poss ser desperdiçado, e em

7" o corredor entra e sai da boxe com os pneus trocados. Nas empresas e

serviços públicos ou privados gasta-se muito tempo a fazer coisa nenhuma

e desperdiçam-se muitos recursos financeiros e outros, sem necessidade.

O método Lean Thinking nasceu no Japão, no fim da IIª Grande Guerra, num

país devastado e em escombros que precisava absolutamente de recuperar.

Hoje em dia muitos países aplicam a filosofia Lean Thinking e Portugal também.

 

  

Fazer campanha pelo país fora é isto: dar-me a conhecer e conhecer. Ficar mais

ciente da realidade, ter consciência daquilo que fazemos e de quem somos hoje

em dia. Os telejornais todos os dias falam de desemprego e catástrofes que

infelizmente existem e têm que ser noticiadas mas também há as boas notícias

e essas quase nunca são notícia. É pena, pois são as que permitem continuar a

acreditar que o mundo é um lugar possível e que também nós podemos contribuir

para acrescentar valor e resgatar a confiança e a esperança em dias melhores ... 

04
Fev09

Ideias originais e criativas

Laurinda Alves

 

Concluo a sucessão de posts sobre a minha primeira ida a

Leiria em campanha com esta imagem de dois contentores

transformados em bancos. Depois de limpos e adaptados,

foram pintados por artistas e o resultado é radical e original.

Claro que pertencem à SAMP e foram mais uma boa ideia...

 

03
Fev09

Ensaios do coro de vozes com e sem piano

Laurinda Alves

 

 

Treino e aquecimento das vozes no início das aulas de coro na SAMP, em Pousos, Leiria. Estive lá no fim-de-semana passado e gravei pequenos fragmentos com som e imagem para podermos ouvir e sentir melhor o ambiente desta escola extraordinária onde pais, filhos e avós se juntam para cantar, tocar e ensaiar em orquestras e coros.

 

 

Paulo Lameiro, o inspirador destes e outros projectos da SAMP é um artista muito versátil e muito apostado em criar laços e construir pontes. Tem projectos musicais específicos para famílias, para bebés e para crianças em idade escolar mas também faz música nos hospitais com doentes mentais agudos, vai às prisões ensaiar ópera com os reclusos e tem um sem número de iniciativas no campo artístico, musical e performativo que revelam o seu talento e o seu dom de potenciar os talentos dos outros. Fiz-lhe uma entrevista para este blog que publicarei mal esteja 'pronta'.

 

 

Este homem que começou por cantar 7 anos no S.Carlos e agora trabalha múltiplos universos através da música, continua a aprender enquanto ensina e é também esta abertura de espírito que impressiona quando o vemos em acção. Gostei particularmente das Aulas de Berço, com pais e crianças até aos 2 anos onde mesmo sem palavras todos se entendem e sentem muito próximos. Muito bom. 

31
Jan09

E este coro de pais, filhos e avós também!

Laurinda Alves

 

Depois da aula com os bebés fomos assistir às aulas dos

mais velhos. Primeiro os Piccolini Filarmónicos, que é uma

orquestra de pais, filhos e avós. Logo a seguir o Coro de Pais

e Filhos que é mais um projecto de sucesso da SAMP e uma

experiência maravilhosa. Foi um verdadeiro privilégio ouvi-los.

 

 

Ao piano Inesa, uma artista muito versátil, imigrante da Bielo-

Rússia que é bailarina e música, e é um braço direito para  

Paulo Lameiro. Não consigo escrever o apelido de Inesa mas

também bão resisto a falar dela e a dar-lhe os meus parabéns!  

 

 

Fiz alguns filmes nesta sala e apesar de serem fragmentos

breves, são pesados demais para importar para o blog agora.

Ao longo da semana publico-os porque vale a pena vê-los e

ouvir estas famílias a cantar e a tocar juntas. Estamos muito

perto de Leiria mas esta manhã senti-me na Dinamarca ...

31
Jan09

Esta escola de berço é um espectáculo!

Laurinda Alves

 

Passei a manhã na SAMP, a Sociedade Artística Musical de

Pousos, em Leiria, na Aula de Berço, onde pais e filhos se

juntam no mesmo espaço para ter aulas de música, som e

ritmos e foi um poema. Sabia da existência deste projecto e

conhecia o Paulo Lameiro, o criativo fundador e inspirador. 

 

 

É fascinante assistir a uma aula de expressão musical com

pais e bebés e é extraordinário perceber como reagem aos

estímulos, como recebem os sons, os ruídos, a música e

os brinquedos e brincadeiras que acompanham tudo o que

se faz ao longo de quase uma hora. A música é uma língua

universal e comove ver como os bebés ficam suspensos de

uma mímica, uma dança ou uns barulhos improvisados ali.

 

 

Sem palavras e apenas com gestos mais ou menos festivos,

mais ou menos performativos mas sempre muito plásticos e

diversificados, todos nos envolvemos uns com os outros de

forma natural e alegre. Além de ser um tempo muito divertido

e cheio de surpresas, estas aulas são um reforço incrível dos

laços entre os pais e os seus filhos. Paulo Lameiro é genial e

potencia os talentos dos outros. Conheço-o por isso há anos.

 

 

Mais importante do que eu conhecer os projectos e a veia

artística do Paulo Lameiro é o facto de ele ser reconhecido

pelo dom de multiplicar os talentos dos outros. Musicais e

não só, quero dizer. Esta semana quando tiver tempo, deixo

aqui uma entrevista com ele. Agora que estou no terreno só

consigo deixar imagens. Os filmes demoram e vêem depois.

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