Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Vivendo e aprendendo...

Eis a conversa que gostava de ter aqui neste início de semana. Tenho agora um tempo de pausa e aproveito-o para sintetizar umas linhas sobre o meu processo de discernimento interior a partir de um dia-a-dia cada vez mais difícil de gerir, numa altura em que faço campanha no terreno e passo quase toda a semana fora de Lisboa a conhecer pessoas, projectos e instituições que me permitem actualizar o olhar sobre o país real e profundo.

 

Estou, como sabem, em campanha para o Parlamento Europeu, como candidata independente pelo MEP, desde Dezembro passado. Estes quase quatro meses que passaram foram um tempo de privilégio absoluto, em que me foi dada a possibilidade de percorrer o país de norte a sul (ilhas incluídas), num caminho com dois sentidos: conhecer a realidade-real de Portugal e, ao mesmo tempo, dar-me a conhecer nesta nova condição de 'nova política'.

 

Quando insisto na expressão 'realidade-real' faço-o com o propósito de sublinhar a importância de afinar o olhar sobre a realidade à minha volta, sem tentações para o tornar mais ou menos dramático. E é porque preciso de conhecer verdadeiramente o país que quero representar no Parlamento Europeu, num centro de decisão onde se decide a nossa vida todos os dias, que todas as semanas estou fora de Lisboa.

 

A partir de hoje e porque faltam apenas dois meses e pouco para as eleições, vou andar pelo país cinco dias por semana. Ou seja, estou em Lisboa às segundas e aos domingos. Tenho uns dias de pausa na Semana Santa e, de resto, estou em campanha. Vem tudo isto a propósito da minha gestão do tempo, das minhas prioridades e critérios mas, também, da possibilidade real (lá está a realidade-real de que sempre falo!) de manter dois blogs activos.

 

A minha experiência das últimas semanas prova que me é cada vez mais impossível alimentar dois blogs diariamente. Não tenho o dom da ubiquidade, os meus dias não têm mais horas do que os dias dos outros, chego à noite muito cansada (exausta é, muitas vezes, a palavra mais certa) e sem capacidade para sintetizar as matérias, fazer os uploads das imagens e editar textos em dois blogs.

 

Visito diariamente duas ou três instituições sociais e culturais, sempre que posso almoço ou janto com pessoas que estão envolvidas em projectos ou causas cívicas, e vou tendo encontros diários com jornalistas da imprensa regional que localmente me acompanham e se interessam pelo que ando a fazer em cada concelho ou distrito. Ora tudo isto é de uma exigência enorme e é tão estimulante e gratificante como esgotante.

 

Se agora enuncio toda esta realidade é porque depois de um processo de discernimento e ponderação de prós e contras, cheguei à conclusão de que a partir daqui não sou mesmo capaz de manter dois blogs activos. Achei que era capaz mas com a mesma verdade com que separei águas à partida, também agora assumo que humanamente não consigo desmultiplicar-me mais sem correr o risco de me esgotar ou entrar em colapso físico e mental.

 

Assim sendo, a matéria mais política da minha campanha vai passar a estar no site do MEP e no site do MEP Europa (sites onde conto com a colaboração de toda a equipa de 22 pessoas que me acompanham e com quem trabalho intensamente nesta candidatura ao Parlamento Europeu), enquanto a matéria mais impressionista e mais de 'substância da vida' vai estar neste meu blog.

 

Dei-me conta ao longo do caminho já percorrido, que muitas das realidades que toco nesta fase da minha vida, merecem ser divulgadas num blog único e abrangente, por serem realidades universais (ler: não estritamente políticas) e por revelarem um país onde existem pessoas, instituições, associações e projectos verdadeiramente transformadores.

 

Confesso que me comove profundamente conhecer tudo e tanto numa altura de grande crise, em que todos poderiamos ter a tentação do desânimo. Ao contrário do que eu esperava, embora a crise seja real e os dramas cada vez mais dramáticos, há uma legião cada vez maior de pessoas apostadas em atravessar esta e outras crises com sentido construtivo, acrescentando valor e confiança, resgatando a esperança lutando e acreditando que só com muito trabalho e muito esforço seremos capazes de chegar à outra margem.

 

E é justamente porque estas pessoas existem à nossa volta, e porque os projectos que criam ou nos quais trabalham e se envolvem são tão transformadores na sociedade (e nas mentalidades) que não posso deixar de os revelar a todos. Ou seja, a partir de hoje em vez de ter dois blogs e de separar umas águas que afinal são inseparáveis, vou mostrar aqui as pessoas e os projectos que encontro no caminho e deixar para o site MEP Europa a matéria mais política. Aqui a cidadania e ali a política!

 

Tenho a certeza que me percebem e me acompanham, e é também a certeza de percorrer este caminho real e virtual tão bem acompanhada que me enche de alegria e energia para os dois meses que se anunciam como um tempo ainda mais exigente e desafiador. Obrigada por estarem aí. Ou melhor, por estarem aqui comigo!

 



publicado por Laurinda Alves às 12:54
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Segunda-feira, 16 de Março de 2009
A Obra do Frei Gil, um sonho de mais de 10 anos!

 

Fui visitar a nova casa da Obra do Frei Gil, no Porto, e devo

confessar que me comoveu ver tudo novinho em folha mas

já com um par de semanas bem vividas neste novo espaço.

Fotografei o cameraman a filmar a equipa do Sporting em 

cromos, porque também sou Sportinguista mas, acima de

tudo, porque me tocou o pormenor da decoração de um dos

rapazes que agora vivem nesta nova casa em Ramalde.

 

 

Esta casa da Obra do Frei Gil é um sonho tornado realidade

à custa das ajudas de centenas de amigos e voluntários da

Obra. As crianças e jovens em risco que moram nesta casa

viviam antes em condições muito precárias e degradadas.A

casa onde moravam tinha um espaço exíguo e estava muito

velha. Durante 10 longos e penosos anos a Obra do Frei Gil

multiplicou as iniciativas para angariar fundos e fazer obras

para uma nova casa e aquilo que parecia quase impossível

acabou por se tornar possível. A casa está de pé e aberta! 

 

 

A equipa que dirige a casa e a mantém a funcionar mais as

crianças e jovens que lá moram, mudaram há poucos dias

para aqui e, por isso, tudo é uma novidade e uma alegria.

O próprio Frei Gil gostaria de ter estado presente no dia em

que se abriram as portas desta nova casa onde moram as

crianças que são maltratadas pelos pais ou negligenciadas

pelas famílias. O Frei Gil nunca desistiu de acreditar que era

possível acolher, cuidar e ajudar a crescer todos estes jovens.

  

 

Graças à inspiração do fundador e à tenacidade de uma equipa

extraordinária liderada por Graça Fonseca e Maria Gonçalves da

Cunha, formaram-se grupos de ajuda, juntaram-se voluntários

novos e antigos, escreveram-se cartas, trocaram-se mails e foi

possível ver finalmente todos os Meninos da Obra do Frei Gil a

ter uma habitação condigna. A mim, esta Obra diz-me muito pois

também eu participei nesta corrente de voluntariado que envolveu

centenas de pessoas que leram a revista XIS onde publiquei um

apelo aos leitores. Há 5 anos para mim esta casa era um sonho!

  

 

Estes e outros miúdos que agora moram nas novas instalações

foram os mesmos que foram escrevendo coisas mais ou menos

avulsas sobre a casa nova e a casa antiga. Um deles, com dez

anos (precisamente os mesmos que esta casa demorou a ser

construída) escreveu duas linhas num papel a dizer o seguinte:

"Na Casa Nova temos um buraco nas paredes dos dois pisos,

para onde podemos atirar a roupa e ela vai parar à lavandaria!"

 

 

Graça Fonseca, a directora, tem um sorriso sempre desenhado

na cara e é uma força da natureza. Fala dos seus meninos como

se fossem todos seus filhos. É admirável esta atitude e esta força!

Na imagem Graça (de encarnado) conta à Inês Menezes como as

coisas foram acontecendo e a Inês revive através dos detalhes ao

vivo aquilo que fomos vivendo na XIS nos tempos em que a revista

existia e íamos tendo notícias da evolução desta construção que

esteve parada mas, finalmente, arrancou e já nunca mais parou. 

 

 

Ver as caminhas dos bebés trespassadas da luz que entra

pelas grandes janelas e sentir que o quarto dos mais novos

é quente e alegre dá o consolo que é possível ter quando

sabemos que estes bebés foram retirados às famílias por

serem maltratados ou abandonados. A tristeza desta triste

realidade aqui é compensada pela maneira como os bebés

são acolhidos e cuidados. Esta casa é um verdadeiro lar.

   

 

Os despojos dos dias nas casas onde há muitos filhos são

as mochilas que se deixam no chão no fim da escola, quando

ainda é dia e há tempo para brincar lá fora no pátio. Passo por

estas casas e fico sempre tocada pela familiaridade que sinto

nas rotinas, nos hábitos e na maneira como é possível viver e

educar dezenas de crianças e jovens em fase de crescimento. 

Dou os meus parabéns a toda a equipa e assumo aqui que só

agora fui capaz de escrever sobre a visita por ela me ter tocado

profundamente. Confesso que sinto que a casa também é minha.

 

 



publicado por Laurinda Alves às 22:22
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Segunda-feira, 9 de Março de 2009
A casa dos bebés e crianças retiradas às famílias

 

Começo por voltar ao CAT, o Centro de Atendimento Temporário

de crianças e jovens em risco, de Viseu, que fiquei a conhecer no

fim-de-semana e não me sai da cabeça por mil e uma razões que

passo a explicar. Primeiro, pela incontornável realidade de acolher

bebés e crianças muito pequenas que foram retiradas aos pais e

famílias por serem maltratadas ou negligenciadas. Dói sempre a

certeza de que estas crianças não foram amadas e foram rejeitadas. 

  

 

Nestes berços estão deitados bebés muito pequenos que os

pais não foram capazes de amar nem cuidar, e impressiona

olhar para eles por serem tão queridos, tão frágeis e ainda tão

carentes de amor e cuidados. Comoveu-me este CAT por ser

um espaço tão familiar onde se sente o carinho e todo o amor

que uma equipa inteira de profissionais dão aos mais frágeis.

 

 

Olhar para as carinhas dos bebés, tocar nas suas mãos, sentir

o seu cheiro e a sua pele, ver como olham com os seus olhos

inocentes para um mundo por vezes tão adverso e cruel, enche

de ternura e, ao mesmo tempo, de frustração. Todos nós os da

equipa MEP-Europa que visitámos esta instituição, ficámos de

lágrimas nos olhos pela maravilha de trabalho que é feito com

estas crianças mas também pela dor e sofrimentos passados.

 

 

Tudo no ambiente deste CAT é tranquilo e bonito. Já visitei

muitos centros desta natureza e foram raros os que vi tão

bem cuidados, tão luminosos e tão familiares. A beleza da

casa onde se recebem crianças em risco importa muito até

porque estas crianças sentem e absorvem o que anda no ar.

Aqui todos os pormenores contam e foram muito pensados.

 

 

Até a arrumação das roupas e os armários onde se guarda

tudo o que outros oferecem a estas crianças está impecável.

Dá gosto ver uma ''casa de família'' onde há 22 ''filhos'' com

tudo tão em ordem. A organização e a arrumação importam! 

 

 

Do outro lado da casa existe uma sala ampla e arejada onde

as crianças brincam e se entretêm fora das horas de aulas e

onde os voluntários dão apoio nas brincadeiras mas também

nos estudos dos que já andam na escola. Há crianças com

idades compreendidas entre os 0 e os 6 anos e, por isso, há

as que vão à escola e começam a aprender a ler e escrever.

 

 

Apetece estar nesta sala colorida, divertida, onde há muito

espaço para brincadeiras. Este palhaço foi feito por todos

e agora vive encostado a uma das janelas que dão para o

pátio lá fora. Sobre este pátio gostava de dizer duas coisas.

 

 

A primeira é que é um pátio enorme e tentador para aproveitar

como recreio para estas crianças brincarem. A segunda é que

não é possível deixar as crianças ir para o pátio porque há lá

dois tanques enormes, com água, onde se poderiam afogar

em menos de dois minutos. É uma pena que estes tanques

permaneçam ali sem destino, a impedir estas crianças de ter

um espaço ao ar livre para brincarem e crescerem mais livres.

 

 

Vou escrever uma carta ao presidente da Câmara de Viseu a

falar destes tanques e a perguntar se se pode fazer alguma

coisa em breve. Bastaria esvaziá-los e cobri-los de terra ou

areia para criar ali um parque de diversões. Não me parece

impossível e tenho a certeza de que está ao alcance da CMV

fazer qualquer coisa que potencie o bem-estar das crianças.

 

 

Finalmente gostava de deixar aqui umas linhas à Drª Paula

Menezes, a directora do CAT de Viseu que me marcou pela

atitude positiva, pelo sorriso permanente (e contagiante) e

pela sensibilidade e ternura com que fala de cada uma das

'suas' 22 crianças. Não conseguirei nunca agradecer-lhe o

suficiente por ser esta luz no mundo e por devolver aos mais

frágeis o sorriso e a confiança na vida. E a dignidade também!

 

 

Toda a equipa MEP-Europa saiu desta pequena-grande casa

comovida e grata por nos terem aberto as portas e nos terem

feito sentir em casa. A Drª Paula Menezes tem a minha idade

(47 anos) e vive inteiramente dedicada a todos estes ''filhos''

e sublinho aqui a minha profunda admiração pela maneira

como exerce esta forma tão generosa de maternidade. Dar

colo a quem não tem colo, encher de mimos quem nunca os

teve, cuidar, abraçar, alimentar, vestir e educar bebés e crianças

cujo passado foi todo vivido em dor e abandono é muito mais

do que um trabalho. É uma verdadeira missão! Muito obrigada.

 

 

E termino este longo post com a imagem da entrada do CAT

da Misericórdia de Viseu, como uma breve despedida de quem

sabe que pode voltar mais vezes porque a porta estará sempre

aberta. Quem me dera poder ajudar e quem me dera que os 2

tanques de pedra do pátio deixem de existir muito em breve! 



publicado por Laurinda Alves às 11:30
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Quarta-feira, 4 de Março de 2009
Pular a Cerca, programa Escolhas

 

 

Visitei o projecto Pular a cerca (II) no Porto, onde conheci estes

e outros miúdos que participam nas actividades promovidas pelo

centro, cujo espírito e missão é combater a exclusão social de

crianças e jovens provenientes de contextos socio-económicos

mais vulneráveis ou carenciados. Este projecto surge no âmbito

do Programa Escolhas e pretende criar mecanismos de apoio e

estímulo a uma verdadeira igualdade de oportunidades entre os

jovens e as crianças. Neste centro há uma variedade enorme de

escolhas e actividades, que vão da aprendizagem informática às

técnicas de pintura passando pela dança e o desporto.

 

 

Ao fim da tarde assisti ao treino da Companhia do Rugby, uma

das ofertas mais concorridas no Centro. A equipa é combativa e

composta por uma variedade muito complementar de miúdos.

Há ali de todos os géneros, tamanhos e feitios e o treinador tem

um talento especial para gerir e organizar toda esta diversidade.

 

 

 

Há vários jogadores de etnia cigana e é engraçado ver como em

campo todos se sentem completamente iguais e integrados na

equipa. Fora do campo, as irmãs e irmãos seguem atentamente

o treino e esperam que acabe para voltarem juntos para casa.

Às vezes o treino tem que parar porque os irmãos mais novos se

entusiasmam e entram em campo e até isso é divertido. Comove

ver a cena e a maneira paciente como o treinador espera que os

miúdos peguem ao colo dos irmãos para os pôr fora de jogo...

 

 

 

Nos próximos dias vou estar em Arganil, Lamego, Guarda e Viseu.

Vão ser dias intensos e cheios de visitas a projectos e instituições

onde é possível ficar a conhecer ainda melhor a realidade-real do

país. É um privilégio enorme poder percorrer o país de norte a sul,

ilhas incluídas, em campanha. Vou deixando aqui os meus posts

mais ou menos impressionistas sobre tudo e tanto que vou vendo

e vivendo nos dias em que faço por conhecer e me dar a conhecer.

 

 

Adorei os três irmãos e as suas irmãs mais velhas. Muito queridos!

 



publicado por Laurinda Alves às 18:18
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Terça-feira, 3 de Março de 2009
A Diana, a Cláudia e o Luís Miguel

 

Conheci a Diana no fim-de-semana passado, no Clube Porta

Aberta, no Bairro do Cerco, no Porto. A Diana Vieira tem 11 anos

e frequenta diariamente este centro de actividades onde pode ter

estudo acompanhado e também participar nos ateliers e iniciativas.

Tenho falado com ela ao telefone e contou-me que partiu um braço

e tem dores. Foi o braço esquerdo. As melhoras, querida Diana!

 

 

A Cláudia Teixeira é uma das maiores amigas da Diana e também

vai ao Clube Porta Aberta todos os dias. Diz que gosta de dançar, de

fazer patinagem e de ginástica. Adorei a Cláudia e as suas sardas!

 

 

O Luís Miguel Santos Moreira é o terceiro deste trio inseparável de amigos

e também quis dar uma entrevista para o blog. Todas as crianças que vêm

ao Clube Porta Aberta moram nos bairros sociais da zona de Campanhã,

uma das zonas mais problemáticas da cidade do Porto. Estas crianças têm

vidas difíceis e assistem a muita coisa e impressiona sempre ver a ternura

com que se abraçam e nos abraçam. Mesmo quando mal nos conhecem...

 



publicado por Laurinda Alves às 17:09
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Segunda-feira, 2 de Março de 2009
Vasco Fernandes: a esperança é fundamental!

 

Passei três dias muito intensos no Porto, em campanha pelo

MEP. Dada a variedade, a complexidade e a profundidade das

realidades que toquei, foi-me impossível alimentar o blog nos

dias que passei no terreno. Assim sendo, retomo hoje a minha

escrita neste espaço que se vai construindo 'a espaços' e com

os impulsos dos dias de campanha em que conheço pessoas

e projectos apaixonantes pela maneira como revelam o que há

de melhor em cada um. Começo pelo princípio, pela visita que

fiz ao Serviço de Voluntariado do Hospital de São João, onde o

Vasco Fernandes me falou do trabalho dos voluntários e das

suas prioridades e critérios. "O papel do voluntário é estar com

o doente e a sua missão é servi-lo!" disse Vasco que é, também

ele, voluntário neste hospital. Comove-me sempre o testemunho

dos que dão de si e do seu tempo, aos que mais precisam e é

impressionante conferir que quanto mais se dá, mais se recebe!

É uma matemática infalível, esta de dividir para multiplicar: quando

repartimos, multiplicamos e é também esta certeza que me anima!

 

 



publicado por Laurinda Alves às 11:48
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
O Banco BIPP é um seguro de vida!

 

Joana Santiago, mãe de 3 filhos, um deles com multideficiência, criou o BIPP
 
Em tempos de crise e à margem de todas as teorias da macro-economia e da ciência política, vão-se criando bancos que funcionam e cujo sucesso se mede pela quantidade de pessoas e projectos que apoiam e não pelos lucros financeiros que geram. É o caso do novo Banco BIPP, o Banco de Informação de Pais para Pais.
 
Trata-se de mais uma IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social – criada por pais de filhos com necessidades especiais. Os pais com filhos diferentes sofrem na pele a realidade da exclusão, a falta de recursos, a ausência de respostas e o deficit de informação em matéria de acolhimento e acompanhamento de crianças e jovens portadores de deficiência.
 
“Nunca estamos preparados para receber um filho com necessidades especiais.”, diz a mãe de uma criança diferente que vive diariamente o drama da integração. Esta e outras mães e pais sabem muito bem que a nossa sociedade está muito aquém de ser uma sociedade inclusiva, tolerante e aberta à diferença. É pena que assim seja mas é a mais pura e dura das verdades.
 
Conscientes dos dilemas morais, emocionais e logísticos desta legião de famílias diariamente confrontadas com barreiras de todas as naturezas, e obstáculos de todos os tamanhos e feitios, um grupo de pais liderado por Joana Santiago decidiu criar o BIPP. Aliás a ideia, o investimento e quase todo o esforço de levantamento da realidade-real para criar este banco partiu dela e foi contagiando os outros.
 
Joana Santiago é mãe de três filhos, um deles com multideficiência e sem diagnóstico definido, coisa que revela uma dificuldade ainda maior em lidar com as suas necessidades específicas.
 
Conheci a Joana Santiago numa tertúlia sobre a integração de deficientes organizada pelo MEP na sua recém-inaugurada sede nacional, onde estive na tripla condição de moderadora, participante e ‘nova política’ que defende estas e outras causas que envolvem os mais desprotegidos, os mais vulneráveis e os mais frágeis da sociedade.
 
A Joana apresentou este projecto perante uma plateia a transbordar de pessoas interessadas e qualificadas nesta matéria e todos ficámos a saber que estamos em vésperas de assistir à abertura de duas Lojas do Cidadão vocacionadas para dar respostas às famílias e profissionais que lidam com todos os tipos de deficiência.
 
“A recolha de toda esta informação foi uma missão quase impossível porque o Estado não cruza informação”. Joana Santiago contou como tudo começou e os anos que passou a pesquisar dados e a sistematizar informação útil para pôr em funcionamento um portal online e abrir as duas Lojas do Cidadão.
 
A partir de agora qualquer pessoa que tenha dúvidas concretas quanto ao apoio material, financeiro, psicológico, educativo, vocacional, profissional ou outros pode dirigir-se a uma destas Lojas do Cidadão (uma em Cascais e outra em Lisboa, nas instalações do ACP) ou aceder ao portal do BIPP (www.bipp.pt) ou, ainda, enviar um mail para bancobipp@gmail.com e fazer todas as perguntas na certeza de que terá sempre respostas.

 

 

 

Nota: Este texto foi publicado na minha página de crónicas do Público na sexta-feira passada.



publicado por Laurinda Alves às 10:03
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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Maravilha, hoje só tive boas notícias!

Tal como acabei de escrever no meu blog A Substância da Vida, hoje o meu dia só teve boas notícias. O irmão de António Garcia, sobre quem escrevi no jornal Público e no post anterior, foi hoje contactado pelo deputado João Rebelo, vice presidente da Comissão de Defesa, no sentido de apurar os factos e dar sequência a um processo injustamente em suspenso há 5 anos. É por estas pequenas-grandes coisas que nunca podemos deixar de acreditar que melhor é sempre possível!  



publicado por Laurinda Alves às 18:29
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Testemunhos de vida, exemplos de coragem

Eis, finalmente, as breves entrevistas que fiz na CERCIGUI na sexta-feira passada.

Começo pelo Jorge Couto, que trabalhava na construção civil e foi vítima de uma

queda em altura que o deixou tetraplégico. O Jorge Couto deu-me esta entrevista

e depois deixou dois comentários neste blog, que muito agradeço e me tocaram.

 

 

Cinco dias antes do acidente de Jorge, Eduardo deu um mergulho no rio que lhe

correu mal e também o deixou tetraplégico. Tal como o Jorge, Eduardo também 

trabalhava na construção civil. Muito discreto, fala baixo mas é igualmente positivo.

 

 

Eugénio Teixeira tem outra história de vida, outra experiência pessoal e profissional.

Quando tinha apenas um ano de idade teve poliomielite e ficou com dificuldades em

andar. Fez a escola primária e depois ficou em casa sem nada para fazer anos a fio.

 

 

Conheci estes três homens na CERCI de Guimarães e saí de lá com uma gratidão

infinita por existirem e serem como são. Não falo da sua deficiência, naturalmente,

mas da maneira como transcendem as suas limitações. E da atitude positiva com

que atravessam o sofrimento e vivem a adversidade diária que os obriga a vencer

mil e uma barreiras. As arquitectónicas e as outras, quero dizer. E é por estarem

tão inteiros na vida e relativizarem os seus problemas que me ajudam a viver com

mais consciência e a relativizar os meus pequenos e médios dramas. E dilemas...



publicado por Laurinda Alves às 23:00
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Sábado, 31 de Janeiro de 2009
A visita ao Lar de Santa Isabel em Leiria

 

Passei parte da tarde no Lar de Santa Isabel em Leiria. Este

Lar acolhe cerca de 40 raparigas que não podem viver com

as suas famílias biológicas. Por razões que todos sabemos

e por circunstâncias de realidades duras e adversas, estas

raparigas vivem no Lar, onde são visitadas pelos familiares

(quando os há e são funcionais) ou pelas famílias amigas

que as levam de férias e fins-se-semana. A vida destas 40

raparigas é uma vida normal dentro das condicionantes da

sua situação. Apesar das dificuldades das suas vidas antes

de serem institucionalizadas e das dificuldades que algumas

continuam a ter no presente, aqui elas sentem-se em família.

Tiveram a sorte que muitas outras não têm, infelizmente...

 

 



publicado por Laurinda Alves às 17:50
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